Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/05/2021
O cancelamento ocorre quando alguém ou um grupo decide parar de apoiar uma pessoa, lugar ou coisa com base em um ou mais eventos ou ações negativas ocorridas. Na verdade, a cultura do cancelamento é ensinar uma coisa a todos: se algo estiver errado, pare de apoiar, afirmar, seguir ou praticar. Esse cancelamento virtual é extremamente tóxico para saúde mental de todos envolvidos, porque não abre margem para erros cuja característica é natural ao ser humano.
A ansiedade e a depressão são algumas das consequências decorrentes da cultura do cancelamento, isso ocorre pelo fato da pessoa se sentir isolada e solitária, além, da sensação que todos desistiram dela antes mesmo que pudesse se desculpar ou corrigir seus erros. Outro fator é o suicídio, onde a abordagem neste nível de “cancelamento” gera eventos ou circunstâncias críticas que muitas das vezes são responsáveis pelos suicídios. Um caso envolvendo essa situação foi o suicidio do influenciador Byron Bernstein, mais conhecido como Reckful. Após ter pedido sua namorada - a também jogadora Rebecca “Becca” Tilts - em casamento pelo Twitter. Por causa da pandemia, os dois não se viam há seis meses. A publicação recebeu uma enxurrada de críticas. Alguns pressionavam Becca a aceitar o pedido e outros acusaram o rapaz de constranger a namorada e de ter atitude nojenta. Alguns dias depois, a morte do rapaz foi confirmada pela namorada e por um colega de quarto.
“Aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Essas foram as palavras pronunciadas por Jesus Cristo ao ser indagado pelos fariseus a respeito de uma mulher que seria apedrejada segundo as leis israelenses daquela época. Embora, ninguém esteja sendo apedrejado por seus erros nos dias atuais, linchamenentos virtuais acontecem todos os dias e são realizados por pessoas que pensam ter direito de julgar e aplicar punições sobre quem cometeu um erro e em alguns casos, nem teve chance de se redimir ou se explicar. Todos cometem erros, por isso o cancelamento deveria apenas apontar esses erros e ajudar quem tenha os cometido a corrigi-los.
O governo e a própria sociedade deveriam promover campanhas e ações nas próprias mídias sociais para conscientizar as pessoas sobre como o cancelamento afeta negativamente a saúde mental de todos os envolvidos para que as pessoas mudem a forma como lidam com determinados tipos de situações. Grupos privados de médicos e psicólogos como a CLM (Conselho Nacional de Medicina) e a CRP (Conselho Nacional de Psicólogia) também podem contribuir com informações sobre transtornos mentais e sua relação com linchamentos sociais e virtuais. Ninguém merece ser tão severamente punido por seus erros, a internet deveria ser um espaço onde todos pudessem expressar seu direito de liberdade de expressão estando alheio às próprias consequências de suas falas.