Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/05/2021
Em meados de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear a prática virtual de boicote a personalidades (famosas ou não) que cometeram alguma violência ou tenham dito ou feito algo considerado moralmente errado pelos padrões de determinado grupo dentro e fora da internet. Há quem defenda a cultura do cancelamento como meio de romper com a estrutura de poder que blinda pessoas privilegiadas na sociedade. Mas será que, a longo prazo, “cancelar” resolve problemas estruturais de desigualdade?
No mundo moderno, em que a presença da tecnologia é cada vez maior e as redes sociais exibem um crescimento exponencial, o “cancelamento” de uma pessoa está diretamente relacionado ao seu comportamento. Portanto, para uma pessoa ser cancelada, ela precisaria dizer algo considerado errado, ou agir de uma forma não tolerada socialmente.
Alison V. Marques é jornalista, com MBA em Marketing Digital e mestre em Administração pela Universidade de Fortaleza; ele explica que o cancelamento existe há muito tempo, mas em níveis e compreensões diferentes do que a gente conhece e vivencia hoje. Segundo o pesquisador, o fenômeno começou a ganhar mais força em 2017, quando houve o movimento #MeToo, que denunciava assédio sexual e o abuso de homens conhecidos contra mulheres. “Além disso, pautas sociais, como racismo, feminismo, movimento LGBTQI+, começaram a ter mais força na internet e a ganhar mais espaço para apresentar seus pontos de vista e experiências”, reforça Marques.
O alcance da cultura do cancelamento no mundo todo tem gerado questionamentos sobre a possibilidade de que injustiças sejam cometidas justamente na busca por justiça. Uma professora de teatro em Nova York foi acusada de ter cochilado durante uma reunião online para tratar de ações por justiça racial no curso. Uma petição assinada por quase duas mil pessoas pede sua demissão, acusando-a de racista. A professora nega e alega que apenas descansava as vistas olhando momentaneamente para baixo quando a foto foi feita.
Diante do exposto, é fato que ainda há muito a ser feito em relação a esta nova cultura do cancelamento, criando regras de forma coletiva. Portanto é necessário que as pessoas repensem suas atitudes de cancelamento, e que O Poder Público, junto à mídia, incentive por meio de propagandas e parcerias o real objetivo da prática de cancelamento.