Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/05/2021

A constituição federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura os direitos e o bem-estar da população. Porém, quando se nota a escassez de medidas na luta contra o cancelamento virtual na sociedade contemporânea, constata-se que esse preceito é contestado na teoria e não desejavelmente, na prática. Desse modo, é notório que tal controversa baseia-se na fomentação da violência, mas também em atitudes opressivas.

Em primeira análise, é necessário pontuar a ausência de medidas governamentais de combate a violência no espaço virtual. Sob a visão do filósofo São Tomás de Aquino, em uma sociedade regida pela democracia, todos os indivíduos são dignos e têm a mesma importância, além dos direitos e deveres que devem ser garantidos pelo Estado, no entanto, isso não acontece no Brasil. Em vista disso, devido à insuficiente operação das autoridades, diversas pessoas nas redes sociais incitam o ódio e a violência para com personalidades/empresas/ou qualquer outro indivíduo, devido a um erro cometido ou a uma conduta reprovável, o que afeta drasticamente a vida da pessoa que foi “cancelada”. Diante disso, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Além disso, vale ressaltar que tais atitudes oprimem ao invés de ensinar e conscientizar. Um indivíduo é cancelado na internet, devido ao fato de não consentir com os valores que a sociedade busca hoje em dia, então, com isso, a população resolve oprimir essa pessoa, colocando toda a rede virtual contra ela, fazendo com que perca a fama, a carreira, o emprego e até mesmo a sanidade mental. De acordo com a pesquisadora espanhola María José Diaz-Aguado, “não se ensina a não ser violento usando a violência”, isto é, ao invés de cancelar/isolar uma pessoa, é prudente promover um debate saudável sobre tal assunto/erro com esta. Destarte, é impreterível a atuação governamental e social para que tais empecilhos sejam superados.

Diante do exposto, conclui-se que é essencial, portanto, que medidas sejam tomadas para aplacar essa conjuntura. Cabe ao Ministério da educação promover debates sobre o tema com os alunos nas escolas da rede pública e da rede privada de ensino, além de criar campanhas de conscientização, com o objetivo, de informar/advertir sobre as consequências de instigar o cancelamento virtual. Dessa forma, os impactos gerados por esse infortúnio serão reduzidos e o preceito constitucional será solidificado no Brasil.