Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/05/2021

A globalização, a partir dos progressos na comunicação e no transporte, permitiu diversos avanços tecnológicos, que resultaram em uma sociedade mais conectada. Esse fenômeno facilitou o acesso de muitos indivíduos à Internet e também suas vidas sociais, culturais e econômicas. Apesar desse progresso ser positivo, a partir dele surgiram contrariedades, como a cultura do cancelamento, esta que se faz cada vez mais presente na sociedade atual e tem resultado em acontecimentos negativos.

É importante ressaltar, de início, que apesar de a cultura do cancelamento ser extremamente negativa, há algumas características positivas nela. Um exemplo seria o fato de que nesta cultura as pessoas estão identificando mais facilmente determinadas condutas, como o racismo, que tem sido um tópico muito comum nas mídias sociais. Além disso, segundo o doutor em psicologia, Leonardo Goldberg, é positivo que, por conta das críticas, “todos aqueles que passam a emitir discursos públicos vão ter que se haver com aquilo que dizem”, ou seja, todos devem ficar atentos ao que falam e propagam.

Entretanto, como dito anteriormente, a cultura do cancelamento tem a maioria de seus aspectos nada positivos, pois esta consiste em atacar e não deixar o “réu” se defender, ou, até mesmo, ser escutado. E, este problema vai mais afundo, visto que este ataque ameaça, muitas vezes, o emprego e os meios de subsistência do cancelado, como ocorreu com a blogueira Gabriela Pugliesi que foi “cancelada” e acabou perdendo pelo menos cinco contratos e seu prejuízo teria superado R$ 2 milhões. Além disso, é importante destacar que, no cancelamento, uma vez é para sempre, ou seja, uma vez cancelado fica para sempre com a reputação manchada. Em outras palavras, os indivíduos não têm direito a cometer erros, “tudo o que você precisa fazer é ter um dia particularmente ruim e as consequências podem durar enquanto o Google existir”, como definiu o colunista do The New York Times Ross Douthat.

Portanto, cabe às mídias sociais e aos influencers promoverem campanhas de conscientização sobre a cultura do cancelamento e seus efeitos, a partir de posts, stories, propagandas, indicações e outros, nas plataformas digitais. Dessa forma, haveria uma conscientização da sociedade em relação a esta temática e, assim, talvez, poderia ocorrer mudança nos hábitos e ações dos indivíduos nas mídias digitais e na vida, reduzindo, deste modo, a força do cancelamento na sociedade atual.