Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/05/2021
A cultura do cancelamento é uma maneira de ajudar os grupos oprimidos a ter voz social, forçar ações políticas de marcas ou figuras públicas. O cancelamento tem como base insultos frequentes em disputas de opinião entre usuários da internet, contudo é um ataque à reputação que intimida o emprego e os meios de estabilidade atual e futuro do cancelado. Sendo extremamente frequente no mundo, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil. Ela hoje derruba celebridades, mas também anônimos.
De acordo com o colunista de The New York Times, Ross Douthat, em uma coluna sobre cancelamento há alguns dias “Você pode ser cancelado por algo que você disse em meio a uma multidão de completos estranhos se um deles tiver feito um vídeo, ou por uma piada que soou mal nas mídias sociais ou por algo que você disse ou fez há muito tempo atrás e sobre o qual há algum registro na internet. E você não precisa ser proeminente, famoso ou político para ser publicamente envergonhado e permanentemente marcado: tudo o que você precisa fazer é ter um dia particularmente ruim e as consequências podem durar enquanto o Google existir”.
Um exemplo de cancelamento no Brasil foi o da blogueira Gabriela Pugliesi. Logo que publicou fotos em uma festa que deu em sua casa, em meio a uma quarentena por conta de uma epidemia da COVID 19, muitas pessoas na internet passaram a cobrar as marcas que a patrocinavam para que desistissem dos contratos com ela. Gabriela acabou com pelo menos 5 contratos e isso acarretou com um prejuízo de mais de 2 milhões de reais.
Muitos críticos dizem que as reações na maioria das vezes alcançam grandes dimensões desproporcionais ou não são verídicas. De acordo com o doutor em psicologia Leonardo Goldberg “Não existe zona cinzenta a partir da lógica do espetáculo. E a cultura do cancelamento entre nessa esteira de modo completamente arbitrário, porque [faz parte] da lógica da não contradição, tão presente na internet. Não existe conversa ou escuta”.
“Acho que o [aspecto] negativo é a forma como a gente lida numa certa cultura do ‘hater’, do ódio, esquecendo que precisa fazer críticas mais embasadas e ter mais consciência coletiva da nossa responsabilidade”, falou a colunista e feminista Stephanie Ribeiro ao Nexo.
Conclui-se que os efeitos da cultura do cancelamento, são muitas vezes pouco efetivos do que se espera dos “canceladores” e do que os que foram prejudicados, “cancelados” costumam relatar. Isso pode ser revertido atráves das propagandas em redes sociais e televisões. Com isso, a população ficaria mais harmônica e aprenderiam com os seus erros.