Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/05/2021

Cultura do “Câncer"lamento

Neste mundo globalizado, a troca de informações se tornou extremamente rápida, com ela a troca de informações falsas e da famosa fofoca também. Embora existam as tais “fofocas do bem”, que servem para revelar as pessoas com má índole, a chamada cultura do cancelamento (que é uma espécie de fofoca generalizada) têm se mostrado bastante abstrata/ineficiente ao definir o que pode ou não ser dito nas redes. Logicamente, comentários racistas ou homofóbicos devem ser repreendidos por grande parte do público que acompanha pessoas famosas (ou não) que se expõem nas redes (e ser uma pessoa pública é um risco a ser corrido).

Mas quando o cancelamento passa a ser algo político/difamatório começam as incertezas quanto à índole dos canceladores. Um caso pouco conhecido, seria do cantor Wilson Simonal, o primeiro famoso a ser cancelado no Brasil. Entre as décadas de 1960 – 70, Simonal foi acusado de estar associado ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgão do governo que caçava, prendia e torturava opositores da Ditadura Militar, porque supuseram que ele estava dedurando os colegas da arte. Ele, negro, que se dizia de direita, teve automaticamente sua vida apagada do meio artístico, que, em sua maioria, é de esquerda. Após ver todos os seus shows cancelados e tudo aquilo que construiu ser jogado no lixo por puro descaso por parte da mídia, Simonal se alcoolizou em morreu de cirrose em 2000.

Ele, um exemplo de quando um grupo quer,  destrói a vida de qualquer um, e qualquer um pode estar sujeito ao cancelamento. Portanto, por se tratar de um tema incerto (já que os cancelados podem merecer esse título) onde os dois lados têm culpa, não há solução para o problema enquanto não houver mais tolerância,respeito e sabedoria nas redes ou simplesmente a não exposição.