Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/06/2021

Atualmente, com o aumento do uso das redes sociais, pessoas passaram a expor suas ideias, posicionamentos e opiniões virtualmente, de maneira mais rápida e acessível. Com essa maior acessibilidade e liberdade de expressão, muitas pessoas foram “canceladas” devido a alguns de seus posicionamentos que foram considerados desrespeitosos de alguma maneira. A cultura do cancelamento existe com o intuito de mostrar para as pessoas os erros que cometeram, para que não voltem a fazê-los de novo, porém o cancelamento tem se tornado cada vez mais agressivo, radical e ineficaz, visto que faz com que pessoas sejam odiadas e resumidas ao seu erro.

Primeiramente, várias pessoas que já foram “canceladas” na internet por terem feito comentários desrespeitosos, foram humilhadas e ameaçadas por outros usuários das redes, e dessa forma elas ficaram com medo de expor suas reais opiniões, ou seja, o cancelamento não proporcionou a elas uma evolução ou um aprendizado pessoal, apenas as atacou e silenciou.

Além disso, muitas vezes os “cancelados” acabam cometendo, posteriormente, o mesmo erro nas redes sociais, evidenciando ainda mais como o cancelamento não ajuda as pessoas a aprenderem com seus próprios erros. Um exemplo disso é a autora da saga de livros Harry Potter, a J.K. Rowling, a qual foi cancelada uma vez por ter sido transfóbica em suas redes sociais, e mesmo após esse cancelamento, a mesma fez comentários transfóbicos novamente, ou seja, ela não aprendeu nada a partir do cancelamento que sofreu e continuou a propagar discurso de ódio, assim como as pessoas que a cancelaram.

Dessa forma, observa-se que o cancelamento não possui uma grande eficácia, visto que não necessariamente corrige os erros dos afetados e nem garante que os mesmos não venham a cometê-los novamente. Assumi-se assim que não é interessante tentar corrigir os erros da pessoa ao lado com ódio e raiva.

Diante disso, uma possível proposta de intervenção é a implementação de rodas de conversa nas escolas, nas quais seriam discutidas a diversidade entre pessoas e sobre como deve-se respeitar o seu próximo, evitando assim o surgimento de discursos de ódio ou opiniões de cunho questionável nas redes sociais. Nessas rodas de conversa também poderia ser debatida a adoção da comunicação não-violenta no dia a dia das pessoas, tornando assim a covivência entre pessoas cada vez mais respeitosa e pacífica, sendo desnecessária a existência da cultura do cancelamento.