Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/05/2021
Apesar do termo “cancelamento” ser algo novo, sua prática é recorrente na sociedade. No século XXI, o termo começou a se fortalecer em meados de 2013, através dos movimentos negros, feministas e LGBTQIA+, nas mídias sociais. Ganhando ainda mais força em 2017, com o surgimento do movimento #MeToo que tinha o papel de expor e buscar justiça pelos abusos sexuais sofridos em Hollywood. Entretanto, se antes cancelavam-se os figurões de Hollywood, hoje, o “tribunal da internet” está confundindo o propósito inicial.
No Brasil, podemos citar o caso da cantora Karol Conká, participante do reality show ‘Big Brother Brasil 2021’. Suas falas e atitudes geraram uma repercussão imensa, gerando perda de contratos, fãs e colocando em risco sua carreira. Analisando todo o contexto, “destruir uma carreira”, ou causar danos emocionais aos cancelados não faz jus ao objetivo de 2013/2017.
Contudo, o ato de cancelar está se tornando um mecanismo de “opressão simbólica”. A busca por uma justiça social não precisa ofender a imagem da pessoa “cancelada”, segundo a definição de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, o que aquilo que foi criado para se tornar um instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica.
Infere-se, assim, que o cancelamento impõe nas pessoas um determinado padrão, forma de agir e pensar de acordo com as regras estabelecidas nas mídias. Portanto o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), por meio de redes sociais, deve realizar campanhas para a conscientização de usuários na internet sobre o “cancelamento virtual”, não que seja errado responsabilizar alguém por suas atitudes, a questão é que o cancelamento não deve ser o seu objetivo final, mas sim a mudança nas estruturas que geram esse tipo de comportamento.