Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/05/2021
Sociedade ou tribunal?
Analogamente à prática tirana adotada pela Igreja Católica Apostólica no período medieval -Santa Inquisição- a cultura do cancelamento apresenta-se na contemporaneidade por meio do linchamento social, incitado por julgamento público.Não obstante,tal fenômeno consolidou-se como critério de seleção social,que por sua vez, origina uma sociedade conflituosa e moralmente desestruturada.
Segundo o filósofo Pierre Levi,a intolerância da cultura do cancelamento avança de forma síncrona ao desenvolvimento do corpo social,concretizando-se por intermédio da virtualização,ou seja,rompimento da linha tênue entre o meio cibernético e real,por subterfúgios,como o anonimato.Sem embargo,figuras públicas encontram-se passíveis de brutal cancelamento,punição condizente à sofrida pela influenciadora Gabriela Pugliese após ser filmada descumprindo medidas profiláticas da quarentena.
Em segundo plano,a fragilidade da dinâmica social supracitada na teoria da modernidade líquida do sociólogo Sigmound Bawman,é exposta por meio do impacto social fomentado pela irresponsabilidade afetiva da cultura do cancelamento.Dentre essas consequências,é viável destacar a desestruturação das relações comunais e ampliação dos quadros de transtornos psicológicos daqueles que foram cancelados. Diante dos prejuízos sociais acarretados pela cultura do cancelamento,torna-se necessário que,sob viés constitucional do artigo 196,o MEC-Ministério da Educação e Cultura- e a OMS-Organização Mundial de Saúde- atuem respectivamente,na implementação de debates pedagógicos acerca da empatia e respeito social e admissão da gratuidade no tratamento psicológico preventivo,a fim de humanizar e apaziguar as relações sociais.Outrossim,projeta-se diminuição dos impactos gerados pelo ódio do cancelamento e progressiva evolução moral do corpo social.