Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 07/06/2021

A prática de gerar danos permanentes a partir de problemas passageiros

A cultura do cancelamento é o hábito que se criou de condenar alguém que supostamente cometeu um erro. O ato consiste em propagar vídeos e textos nas redes sociais, criticando e excluindo uma pessoa por sua falha. A pratica, realizada por grupos intolerantes, é indubitavelmente impiedosa, pois impossibilita diálogo entre diferentes pontos de vista, além do reconhecimento e correção do erro, podendo causar sérios danos mentais aos cancelados.

É inquestionável que grande parte dos casos de cancelamento tomam proporções extremas, o que afeta não só o reprimido, mas também pessoas que o cercam. Um exemplo disso é quando intolerantes difundem críticas aos amigos e familiares do cancelado, declarando até ameaças envolvendo dinheiro, assassinato, entre outros. Para mais, o ato de excluir alguém inibe as chances do indivíduo de se esclarecer, desculpar-se e aprender com o erro, tornando a convivência em sociedade dificílima.

Outrossim, o sentimento de não ser aceito pelo grupo pode causar ou agravar problemas psicológicos ao cancelado, como insegurança, depressão, ansiedade e suicídio em casos complexos. Ademais, ainda que o indivíduo passe por um longo período de tratamento e volte a ser mentalmente saudável, é impossível haver uma reinserção social completa devido ao abalo ocorrido nas relações, sendo o dano permanente.

Perante o exposto, é preciso que as redes sociais sejam usadas conscientemente, de modo a se disseminar pensamentos construtivos e inclusivos. Um exemplo disso é a divulgação dos direitos humanos, tal como o direito de ser, pensar, crer, manifestar-se ou amar, sem ser alvo de humilhação ou discriminação, visto que estes se aplicam equitativamente a todos, segundo a ONU. Além disso, conforme Voltaire, embora um ser discorde da opinião de outro, os dois tem o direito de dize-lo.