Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/06/2021

Consoante George Orwell, escritor inglês, “O homem é tão bom quanto seu desenvolvimento tecnológico o permite ser.” A ideia de Orwell pode ser relacionada à sociedade hodierna, a qual se encontra, devido aos avanços tecnológicos, diante de descobertas de campos antes imagináveis. Contudo, quando se observa o alastre da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, nota-se que ainda existem desafios a serem superados, a fim de que a modernização apenas faça jus - de forma positiva - ao pensamento do inventor americano. Logo, é preciso analisar não só a falta de empatia, como também a má influência midiática como agravantes do revés.

Diante desse cenário, a falta de empatia mostra-se como um obstáculo à resolução do problema. Entretanto, conforme é enfatizado na obra “Modernidade líquida” de Zygmunt Bauaman, a sociedade atual é fortemente influênciada pelo individualismo. Por essa óptica, ao se tornar um ser individualista, isentando-se da empatia (se colocar no lugar do próximo), promulga o reflexo de desamparo a sociedade em um conjunto de ataques descontrolados - cancelamento - os quais impõem de forma bruta e desnecessária, por meio de redes sociais, como twitter e instagram, atitudes erradas que a vítima executou sem se preocuparem com os possíveis danos mentais causados ao indivíduo receptor desses ataques. Sendo assim, a realidade contemporânea encontra-se em equilíbrio com a imposta pelo renomado sociólo polonês.

Além disso, vale ressaltar o papel que a mídia exerce na cultura do cancelamento. Acerca disso, os filósofos Adorno e Horkheimer, em seus estudos sobre a “Indústria cultural” abordavam sobre a “ilusão de liberdade do mundo contemporâneo”, afirmando que as pessoas eram controladas pelos meios de comunicação de massa. Nesse sentido, é possível traçar um paralelo com essa realidade, visto que milhões de pessoas no mundo são influenciadas e, ate mesmo, manipuladas, por meio de comportamentos e atos de outros usuários no mundo virtual, sendo direcionadas a produtos e condutas específicas, o que aumenta, de maneira siginificativa, o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade atual.

Dado ao exposto, fica clara, a necessidade de uma tomada de medidas que reverta essa problemática. Para tal, cabe ao Ministério da educação em parceria com a mídia - maior meio de influência do século XXI - desenvolverem palestras por meio de vídeos publicados nas redes sociais, os quais serão produzidos por psicólogos e por psiquiatras com a participação de indivíduos que já vivenciaram de fato esse cancelamento, a fim de promover debates que alertem a real situação da questão. Pressupõe-se assim, que a modernização fará juz - de forma positiva - ao conceito de Orwell.