Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/06/2021

Na edição do programa televisivo “Big Brother Brasil” em 2021, a participante e cantora Karol Conká foi cancelada pelos usuários da internet após o comportamento no “jogo”, no qual refletiu em quebra de contatos de trabalho. Esse cenário decorre das problemáticas acerca do fenômeno da cultura do cancelamento de modo a originar o tribunal da internet e os conflitos sociais.

Em primeira análise, o tribunal da internet contribui para o aumento da cultura do cancelamento na atualidade. Uma das características de quem o pratica, é carregar o ego de uma pessoa sem erros e com autoridade de abolir alguém, de expor, de compartilhar notícias que muitas das vezes não se sabe ao certo se é verídico. Nessa perspectiva, o indivíduo manipula o ódio e a hostilidade sem ao menos deixar o indefeso exercer o seu direito de resposta para se manifestar ao caso.

Em segundo plano, os conflitos sociais são um dos efeitos desta cultura do cancelamento. Esse cenário decorre do desfacelamento da liberdade de expressão, que constitui um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática, pois a democracia existe a partir do pluralismo de ideias. Sob essa ótica o Supremo Tribunal Federal se posicionou contra esta cultura, elucida que é um ato antidemocrático.

Fica evidente, portanto, o tribunal da internet e os conflitos sociais como macrofatores para o agravo da cultura do cancelamento. Para reverter essa conjuntura, o Poder Executivo Federal, sob ação do Ministério da Educação, deve elaborar uma campanha que esclareça a população acerca da gravidade dos efeitos do cancelamento, por meio de ciclo de palestras com profissionais psicólogos nas escolas de ensino básico e superior. Sob o objetivo de conscientizar sobre a atuação nas redes sociais que respeitem a liberdade de expressão que a democracia proporciona.