Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 05/06/2021
Na sociedade contemporânea, as mídias sociais são parte da interação social dos indivíduos. Nesse meio, o cancelamento vem trazendo medo e insegurança para os chamados “cancelados”, que, na maioria das vezes, sofrem agressões e perseguições. Portanto, a discussão revela ser muito importante. Nesse sentido, a cultura do cancelamento possui duas faces: a crítica e o ódio.
A primeira delas, a crítica, é natural das relações humanas. Por exemplo, um indivíduo que publica um comportamento racista, incomodará outras pessoas que avistam esse comportamento. Assim, essas buscarão expor sua insatisfação com o conteúdo, ou mesmo parar de acompanhar essa pessoa ou o seu trabalho nas mídias. Dessa forma, o cancelamento foi uma forma de repúdio e crítica ao comportamento racista. Então, ao não querer mais acompanhar e apoiar esse posicionamento, os “canceladores” preferem deixar de seguir tal usuário.
Por outro lado, a mídia impulsiona (dá visibilidade para) discussões polêmicas para engajar usuários, explorando o posicionamento das pessoas na plataforma. Assim, muitos “cancelados” recebem muito mais críticas do que antes tinham em número de seguidores. Isso significa que pessoas que antes não acompanhavam e não possuíam nenhum apreço pela pessoa passam a criticá-la. Isso significa que as críticas serão mais superficiais, com menos caráter de criar uma discussão, com mais ofensas e ódio em seu discurso.
Em suma, a cultura do cancelamento é algo criado naturalmente pelas relações humanas na internet, e possui seu lado crítico, ao exigir mudança social, e seu lado de ódio, quando há pouca discussão e muitos ataques pessoais. Por isso, deve-se buscar uma solução contra o ódio, sem acabar com a crítica que dá visibilidades às lutas sociais. É possível que as plataformas reformulem suas diretrizes de uso (coibindo ataques pessoais e discursos de ódio) e remodelem seu algoritmo, fornecendo uma forma de denúncia que retire o anonimato dos usuários que violarem essas diretrizes. Assim, os usuários das redes terão um uso mais responsável e consciente das redes, contribuindo para discussões mais embasadas, construtivas e sem violência.