Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/06/2021
No ano de 2019, a ‘‘cultura do cancelamento’’ foi eleito o termo do ano pelo Dicionário Macquarie e a princípio seu objetivo era ‘’eliminar’’ alguém com conduta reprovável, buscando amplificar a voz de grupos oprimidos. Porém, sabe-se que, atualmente, esse termo pode gerar uma ‘‘bola gigante’’ com distorção, julgamentos e rótulos não saudáveis. Diante dessa perspectiva, é importante exemplificar e analisar os possíveis impactos negativos dessa cultura.
Em primeiro plano, evidencia-se que com um teclado em mãos, muitos se acham juízes e especialistas nos mais diversos assuntos. Embora tenha dado voz a muita gente que não teria essa oportunidade, o problema é quando há pessoas que se aproveitam para expressar sua opinião de uma maneira que não é saudável, sem argumento ou, até mesmo, sem saber a verdade, gerando ‘‘fake news’’. Um exemplo de pessoa cancelada é Emmanuel Cafferty, o qual foi suspenso de seu emprego após duas horas de terem publicado uma foto no Twitter, em que ele aparece fazendo o sinal de ‘‘Ok’’ com os dedos, no carro da empresa. Segundo os canceladores, esse gesto é racista, porém em alguns lugares, representa uma confirmação, ele afirma que não foi nenhum dos dois motivos estava apenas esticando os dedos e diz ter perdido os empregos do seus sonhos.
Outro ponto relevante, nessa temática, é que essa intenção de ‘‘deletar’’ alguém sem ao menos ter um diálogo com ela pode fazer com que o cancelado não reflita e não mude de ideia, como afirmou Diego Garcia para UOL ‘‘Precisamos dar espaços para as pessoas amadurecerem, pois crescer demanda tempo…’’. Portanto, em alguns casos, pode existir impactos negativos tanto para os canceladores por se tornarem intolerantes, algo nada saudável do ponto de vista psicológico, quanto para os cancelados que podem sofrer abandono, desprezo, desconsideração e esquecimento, o que é extremamente nocivo para a saúde mental.
Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com as escolas, criem palestras e aulas com profisssionais, como psicólogos, além de aulas práticas com formação de trabalhos em grupos com alunos que tenham ideias diferentes sobre um determinado assunto para que possam se entrosar e debater. Dessa forma, irão elucidar os discentes a entender a importância de se expressarem caso necessário, mas da maneira certa e com muitos argumentos, além de ensinarem que todos merecem respeito e que ninguém é superior, para assim evitar que futuramente cresçam pessoas que precisarão ser ‘‘canceladas’’ por serem intolerantes e disseminar o ódio. Sendo assim, o número de pessoas que respeitam o próximo e disseminam o amor, irá aumentar.