Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/06/2021
Tradicionalmente usado para deixar de assinar um serviço ou desmarcar um compromisso, o verbo “cancelar” passou a ser empregue para boicotar atores, instituições, políticos, empresários, etc. Em casos de declarações e comportamentos racistas, misóginos, machistas, transfóbicos ou homofóbicos o cancelamento parece justo e adequado, no qual tem o objetivo de mudar o pensamento da pessoa que cometeu o ato preconceituoso. Apesar da “cultura do cancelamento” levantar debates e pautas de extrema importância, ela acaba por transformar pessoas em objetos descartáveis.
No ano de 2018 surgiu-se uma hashtag no Twitter chamada “MeToo”, que tinha como principal objetivo denunciar casos de assédio e exploração sexual. Atualmente, a ideia do cancelamento, que antes era utilizada para dar voz as vítimas de assédio foi subvertida e passou a ser usada com o objetivo de silenciar os cancelados, diminuindo a participação ativa dos mesmos em diálogos e debates. O termo “cultura do cancelamento”, por sua vez, é apenas um novo nome dado a um problema que existe em nossa sociedade a muito tempo, a hostilidade humana.
De outra parte, a cultura do cancelamento age, muitas vezes, para causar danos como forma de punição. Mas quem tem o direito de afirmar que alguém está “certo” ou “errado”? Valores, ética, ideologia política, senso comum, culturas, religiões, condição sexual, são motivos para linchamento virtual. E, se um indivíduo erra ao invadir o espaço e opinião do outro, ele não será perdoado, não poderá ter a chance de aprender com o erro e recomeçar. A partir de então, a sua vida será completamente mudada, julgada e, com sorte, terá chances para um recomeço.
Dessa forma, conclui-se que vivemos em uma sociedade hostil, no qual julga pessoas por apenas uma fala dita. Para que o cancelamento seja algo consciente e funcional, é necessário que pessoas sejam mais empáticas com o próximo, e o contexto de uma publicação nas redes sócias seja analisado antes de um julgamento. As escolas formam a base dos indivíduos, sendo assim, elas podem proporcionar palestras aos alunos sobre a cultura do cancelamento, mostrando a eles a sua real função, e como a empatia e a comunicação não violenta podem auxiliar nos diálogos interpessoais.