Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 12/06/2021

“A base de um Estado democrático é a liberdade”, disse Aristóteles. Atualmente, a maior liberdade e acesso à informações produz opiniões distintas. Em um mundo onde cada indivíduo se identifica com uma ideia, é comum que exista pessoas que não concordem. Nesse contexto, surgiu a cultura do cancelamento, que é uma forma de exclusão de indivíduos e grupos. Tal fenômeno normalmente atinge pessoas com influência na mídia que tenham tido, publicamente, algum posicionamento polêmico, preconceituoso e ou desrespeitoso, causado pela diferença de pensamentos. Sob esse aspecto, percebe-se que a cultura do cancelamento levanta debates e pautas extremamente importantes, mas também transforma as pessoas em objetos facilmente descartáveis.

A fim de responsabilizar os indivíduos pelas suas ações e levantar o debate sobre pautas importantes, grupos de pessoas nas mídias sociais estão cada vez mais “cancelando” aqueles que vão contra sua opinião. “Nem tudo pode ser perdoado”, Sérgio Lima. Analogamente, os militantes de internet pensam que existem tópicos que não podem deixar despercebidos e não comentar sobre. Logo, muitas vezes por causa do medo de ser “atingido” pelo movimento, as pessoas pesquisam mais antes de comentar publicamente sobre algum tópico.

Enquanto essa cultura amplia a voz dos oprimidos, ela também pode causar injustiça aos que são cancelados, uma vez que raramente conseguem se desculpar ou até mesmo se justificar para todo o público. “O cancelamento é fechar o debate. Essa cultura é um comportamento de manada”, Rosana Pinheiro-Machado. Desse modo, celebridades e anônimos estão sendo ridicularizados e definidos por uma ação que fizeram, anulando quaisquer boas ações que já tenham feito anteriormente. As vítimas perdem desde a relevância na comunidade até o emprego, em alguns casos. Logo, além de destruir debates por medo de sofrer um cancelamento, acaba com a vida dos que já passaram por esse movimento.

Em suma, a cultura do cancelamento é uma maneira de se alcançar justiça, porém acaba com a vida de muitas pessoas. Sendo assim, as escolas deveriam ensinar resolução de conflito baseada no diálogo e alteridade. Através de implementações de técnicas da CNV (comunicação não violenta) as pessoas entenderiam a importância do diálogo e não do cancelamento. “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”, Voltaire.