Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/06/2021
A revista em quadrinhos “Batman”, da empresa Dc Comics, retrata o personagem principal como um justiceiro, ou seja, realiza justiça com as próprias mãos, da forma que acha correto. De maneira análoga, na sociedade brasileria atual observa-se a presença de justiceiros no que se refere ao cancelamento virtual na sociedade contemporânea. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do individualismo e a influência da mídia.
Em primerio plano, é preciso atentar para o individualismo presente em questão. Conforme o filósofo Zygmund Bauman, a sociedade está cada vez mais líquida, ou seja, os indivíduos estão mais egoístas e sem empatia. A partir disso, infere-se que a falta de capacidade de colocar-se no lugar do outro pode acarretar uma onda de ódio e condenações perante um erro cometido, principalmente na internet, visto que é mais fácil por ser anônimo e com muitas pessoas. Desse modo, tem-se como consequência ataques cibernéticos à pessoas ou empresas, que pode acarretar a destruição da imagem pública por algum período de tempo e danos à saúde mental..
Além disso, vale ressaltar a influência da mídia. Segundo o filósofo Nietszche, a moral de rebanho é a reprodução de hábitos e escolhas de um maior grupo de pessoas, a fim de sentir-se aceito em determinado comunidade. A partir disso, entende-se que muitos indivíduos apenas reproduzem falas de ódio de outras pessoas para sentirem-se pertencentes à causa, sem buscar a verdade. Em virtude disso, há, como consequência, a banalização do movimento, que deveria possuir a finalidade de buscar justiça para as causas importantes e que precisam de demasiada atenção, uma vez que são marginalizadas na sociedade contemporânea.
Percebe-se, portanto, que a cultura do cancelamento enfrenta barreiras preocupantes no país. Para amenizar essa situação, é interessante que o Ministério da Tecnologia, em parceria com as plataformas digitais, atue na fiscalização de discursos de ódio e ameaças na internet. Isso deve ser realizado por meio do redirecionamento de verbas que garantam a eficácia do policiamento, a exemplo de diminuir a quantidade de falsos justiceiros virtuais e aumentar os movimentos com causas reais. O objetivo desse feito é transformar as redes sociais em um ambiente mais seguro e harmonioso. Ademais, o Ministério da Educação deve promover, a partir de palestras em escolas ministradas por profissionais, a importância de criar a própria opinião. Somente assim, a realidade de justiceiros, como nas revistas em quadrinhos do Batman, não serão mais realidades no Brasil.