Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/06/2021
O cancelamento como estratégia e ferramenta
“Cultura do cancelamento” se refere à pratica de se repreender pessoas (virtualmente, a princípio), quando cometem erros considerados condenáveis pelo “cancelador”. Tal repreensão se dá em forma de ataque, comumente verbal, e tentativas de educação pela punição. Porém, apesar de muitas vezes apresentar grandes prejuízos, essa prática também pode ser usada, se estrategicamente, a favor de melhor harmonização das relações sociais. Para isso, o ato normalmente violento de “cancelar” tem de ser moderado e feito com extrema cautela, pois, caso contrário, pode apresentar sérios riscos de danos psicológicos, físicos e sociais aos envolvidos, ou mesmo aos isentos.
Por isso, o cancelamento intimida aqueles que poderiam expressar suas opiniões construtivamente, por conta do receio de serem mal interpretados ou mesmo errarem, o que, no contexto presente, poderia levar ao linchamento virtual ou físico de quem se expressou. Além disso, essa cultura dificilmente se restringe à internet, pois seus usuários, através de relações não virtuais, mais diretas e pessoais, disseminam seu comportamento àqueles que sequer vivenciariam a mesma maneira de se dialogar. Assim, originar-se-ia, uma população normativamente violenta.
Entretanto, o sociólogo alemão Max Weber defendia que os fatos sociais, como propostos por Émile Durkheim, em que se enquadra a cultura do cancelamento e os quais seriam aspectos generalizados na sociedade que não dependeriam da vontade individual, na realidade são mutáveis, pois a própria população é quem compõe a sociedade, detendo, assim, poder sobre suas correções. Portanto, poderíamos, como sociedade, buscar formas cada vez mais eficazes de “cancelamento” a fim de extrair seu melhor, como o poder de amplificação das vozes da margem social e redução dos maus atos, como expressões desumanizantes - nem que, a princípio, através duma mínima intimidação. Outrossim, as autoridades de cada rede em que se pode haver esse tipo de violência devem promover diálogos respeitosos e banir agressões, através de ferramentas de denúncia, uma moderação assistida ou o banimento de usuários prejudiciais.
Dessa forma, no sentido de uma correção planejada, as autoridades de redes sociais e os próprios usuários devem se responsabilizar em aplicar o cancelamento focados nas minorias, endireitando pensamentos e atitudes que mantenham suas más condições, e, também, com a intenção de evoluir personalidades e relações, em vez de servir como vingança por certo erro cometido ou como tentativa, sem embasamento, de educação.