Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/06/2021

O livro “A revolução dos bichos” narra a história dos animais de uma fazenda, que cansados de serem oprimidos pelos humanos começam uma revolução. Porém, quando finalmente se deparam com o poder nas mãos tomam as mesmas atitudes de quem os oprimiam. O mesmo está acontecendo hoje na internet, com a nova cultura do cancelamento, na qual pessoas com posicionamentos polêmicos são excluídas, sem a possibilidade de aprenderem o porque tal pensamento é problemático. E como essas pautas importantes estão sendo levantadas sem espaço para o aprendizado, o cancelado não vai entender o porque errou. Além de não repensar o posicionamento polêmico, ficará com mais raiva das pessoas que se opõem a ele, alimentando ainda mais o ódio por ativistas reais que tentam ensinar a partir do diálogo.

Portanto, essa não possibilidade para uma conversa saudável na internet é muito perigosa, pois não ensina nada ao cancelado, o deixando com um sentimento de exclusão e medo, podendo desencadear a raiva. Assim, carregado desses sentimentos, e com o mesmo posicionamento de antes, pode apenas sair da internet e ir oprimir ainda mais as minorias, mas agora em silêncio, como no caso de uma agressão à esposa ou um parente lgbt+. Por isso o cancelamento é tão ineficaz, e pode resultar em situações perigosas para as pessoas próximas do cancelado.

Outrossim, o cancelamento da uma “máscara” para os movimentos sociais, como se todas as pessoas que lutam pelos direitos humanos fossem “militantes de Twitter”. Segundo Gandhi, temos de nos tornar a mudanças que queremos ver no mundo, e existem pessoas necessárias para a sociedade fazendo isso, ajudando a disseminar informação e combate ao ódio. Porém, está ficando cada vez mais difícil para esses ativistas conquistarem direitos iguais, pois agora além de soferem discriminação estão sendo cada vez mais odiados por estarem com a “mancha” das pessoas que militam desnecessariamnete. Assim, quando um ativista precisar falar sobre assuntos necessários como racismo ou machismo sua fala é dita como “mimimi”.

Tendo visto os argumentos apresentados, é necessário que o ministério da educação e cultura (MEC) reconheça esse fenômeno e inclua nas leis das diretrizes básicas da educação das escolas o conteúdo sobre a cultura do cancelamento, dialogando com matérias sobre a exclusão e opressão das minorias sociais, para evitar preconceitos e consequentemente, evitando o sentimento de vingança. Além disso, é necessário palestras com reais ativistas para explicar a importância dos direitos humanos e do diálogo para alcançá-lo, para que não aconteça como os animais da fazenda, e quando estes chegarem ao topo se lembrem do real motivo da revolução.