Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/06/2021

Na Idade antiga, o processo de exilar pessoas que representavam riscos à comunidade e a ordem pública – prática do ostracismo – era extremamente comum. Hodiernamente, tal prática se mostra presente na contemporaneidade, haja vista que a cultura do cancelamento nos meios digitais, é uma ação que bane pessoas que tiveram comportamentos não mais aceitáveis nos dias atuais. Dessa maneira, torna-se importante debater sobre esse assunto, que é causado tanto pela liberdade de expressão, quanto pela ausência de leis.

Diante desse cenário, é importante ressaltar que a cultura do cancelamento é causada, principalmente, pelo livre arbítrio. A esse respeito, o Art. 5° da Carta Magna promulgada em 1988, prevê a inviolabilidade do direito à liberdade, o que garante a liberdade de expressão a todos os indivíduos residentes no país. No entanto, tal liberdade tem sido usada de forma errônea dentro dos meios de comunicação, haja vista que o cancelamento de pessoas – principalmente influencers digitais – tem se tornado algo recorrente nas redes sociais. E junto ao cancelamento, a chuva de discursos de ódio contra a pessoa, a qual influenciam tanto à vida profissional, quanto a pessoal. Assim, enquanto à sociedade excluir seus próprios indivíduos por meio do “tribunal da internet”, continuará sem evoluir.

Nesse sentindo, a falta de leis contra discursos de ódio dentro do meio cibernético tem se tornado um complexo dificultador para a erradicação da cultura do cancelamento. Nesse viés, John Locke defende que “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Dessa forma, percebe-se uma negligência governamental, visto que o órgão deixa acontecer discursos do tipo dentro dos meios sociais, o que causa a exclusão de muitos indivíduos – sobre isso, tem-se como exemplo o afastamento do filho da cantora Karol Conká, a qual teve que se distanciar das redes por conta dos discursos e ameaças que vinha sofrendo, em razão do cancelamento de sua mãe. Desse modo, sem leis que assegurem as pessoas na Internet, esse meio se torna controlado pelos canceladores de plantão.

A cultura do cancelamento é, portanto, um problema que precisa ser combatido na contemporaneidade e,principalmente, no território nacional. Nesse sentido, o Congresso Nacional em parceria com o Poder Executivo, deve criar políticas públicas que limitem comentários maldosos dentro da Internet, por meio de verbas da União, a fim de melhorar a qualidade das interações comunicativas, e dar segurança às pessoas que usam esses meios. Ademais, é preciso que os influenciadores digitais ampliem debates a respeito dos discursos de ódio e/ou ameaças, à qual muitos sofrem, a partir de lives feitas nas redes sociais, como no Facebook e Instagram, com o efeito de acabar com a cultura do cancelamento, e ainda promover o debate sobre os comportamentos não mais aceitáveis no século XXI.