Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/06/2021
Em um mundo de alta tecnologia, grande parte da população se encontra conectada. Dessa maneira, devido ao grande número de pessoas que possuem classes, idades e opiniões diferentes é comum que hajam conflitos virtuais e com isso, o cancelamento (ato de cancelar/rebaixar alguém ou uma marca, com o objetivo de acabar com sua reputação). Logo, por ser uma nova forma de “reeducação” moral, a mesma se tornou a primeira e a mais agressiva medida a ser tomada, o que causa apreensão em relação a exposição de opiniões e também a condominização social da vida digital.
Assim sendo, dado que a mídia é algo muito volátil, a resolução de conflitos virtuais nunca é simples. Desta forma, quando há exposição de uma opinião que difere das demais, a primeira atitude a ser tomada é o cancelamento, que apesar de online é extremamente agressivo e não abre espaço para o aprendizado e edificação intelectual.
Ademais, pelo fato do cancelamento ser um campo novo e sensível, o mesmo destrói reputações e causa medo nos influentes da mídia ao exporem suas opiniões. Por exemplo, vejamos o caso da cantora Cláudia Leite, que quando perguntada por Serginho Groisman “O que te indigna?”, foi cancelada após responder que nada mais a indignava e que seu coração era puro. Deste modo, sua resposta gerou o cancelamento da cantora pois como visto por internautas, ela negou a existência do Covid-19 e a pobreza que se encontra no Brasil atualmente. Assim, tal situação permite analogia com o texto “Quem tem medo do cancelamento” de Christian Dunker, pois o mesmo defende que quando há o cancelamento também há a desumanização do cancelado e, a desconsideração do fato do mesmo só possuir tal opinião devido ao cenário em que viveu e/ou vive.
Além disso, dada a quantidade de cancelamento de opiniões, muitos passam pelo cancelamento por tabela, que exclui tudo associado aquela pessoa ou marca cancelada, assim executa o fenômeno “condominização social da vida digital”. Desse modo, com a sensação de pureza e superioridade moral após a justiça feita com as próprias mãos, muitos se tornam narcisistas. Logo, como o mito de Narcizo essas pessoas “intelectualmente evoluídas” passam a se importar apenas com sua opinião, o que os torna incapazes de ouvirem mais alguém além daqueles que convêm com os mesmos conceitos.
Por conseguinte é possível concluir que a não ser que a cultura do cancelamento seja extinta, a internet continuará criando mentes intolerantes que suspendem a fala alheia e reduzem o outro a um objeto caso ele oponha de sua opinião. Portanto, devem ser criados avisos e dicas pelos proprietários de redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter para que quando houver alguma publicação desrespeitosa, a mesma seja retirada e avisos apareçam para orientar o autor do post.