Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/06/2021

Após várias tentativas de manifestações a favor da liberdade religiosa, em 1890, a Primeira Constituição Republicana chegou ao Brasil. Esta, tinha como objetivo declarar a separação da igreja em relação ao Estado, dando início ao país laico. Dessarte, os indivíduos passaram a se expressar de maneira autônoma, resultando na formação de diferentes opiniões e crenças, o que era impossível no passado. Mesmo após vários anos, essa mazela social continua sendo bastante discutida. A chamada “cultura do cancelamento” tem como propósito expor e “cancelar” aqueles que se expressam de maneira considerada inadequada através da mídia, tornando-se crucial o debate sobre as causas e consequências decorrentes desse problema.

Assim como definiu Guy Debord, escritor francês, com o termo “Sociedade do Espetáculo”, as pessoas se expõe de uma maneira enganadora e fora da realidade, pois buscam constantemente se encaixar nos padrões impostos pelo exterior. Logo, passam a se espelhar em somente uma “verdade” o que acabado gerando a falta de tolerância ao diferente, e, consequentemente, o cancelamento. Ademais, torna-se perceptível enxergar que muitos ainda preferem solucionar o problema o mais rápido possível, para ganharem status de decisão, sem se quer refletir sobre a pessoa que está do outro lado, ou seja, além do indivíduo ter a chance de ser cancelado pelo seu redor, muitas vezes é humilhado e ofendido.

Outrossim, é possível refletir que a nova “cultura do cancelamento” traz inúmeras consequências para o dia a dia da sociedade contemporânea, pois ao invés de incentivar a justiça e a igualdade entre todos, promove a agressividade e o individualismo. Assim como definiu Zygmunt Bauman, com a filosofia do “Hedonismo”, no mundo hodierno o prazer é colocado como bem supremo da vida humana, na qual o homem se apresenta cada vez mais egocêntrico e orgulhoso. Faz-se necessário que o diálogo e a empatia estejam sempre presentes no dia a dia, afinal, “violência gera violência”, como disse Epicuro.

Portanto, de acordo com os fatos supracitados, nota-se que, a cultura do cancelamento se tornou um problema para a maioria, de modo a intervir na liberdade de expressão e ao mesmo tempo causar ódio e intolerância onde poderia estar incentivando o conhecimento e desenvolvendo o aprendizado da população.