Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/06/2021
Para o filósofo alemão Jürgen Habermas, “a sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições”. No entanto, na era da superinformação, o bombardeio de pareceres gera uma desarmonia na construção de debates político-sociais. Dessa maneira, a rivalidade dos grupos e a falta de proporcionalidade em relação ao senso crítico fazem com que esses sejam os principais indícios desse problema, sendo necessária uma mediação.
Através do avanço das redes de comunicação, a sociedade caminha para um mundo cada vez mais globalizado e líquido - termo cunhado pelo filósofo Zygmund Bauman, que demonstra como as relações sociais alteram-se de maneira extremamente veloz, como posicionamentos, endeusamento de personalidades e de suas opiniões. Consequentemente, quando uma figura pública exprime um pensamento nas mídias sociais, está sujeita a tê-lo amplificado e ser o ponto de início de discussões que podem alterar a maneira que a sociedade a enxerga, podendo levar ao seu cancelamento.
Tendo isso em vista, os debates originados na internet podem transformar-se em um exemplo de responsabilidade para outras pessoas que possuem um grande número de consumidores de seus conteúdos. Nessa lógica, rebaixar o indivíduo à sua opinião, sem opção de redenção, não possibilita a melhora do mesmo ou da sociedade. Uma estratégia a ser tomada como exemplo para ser incentivada, é a maiêutica, de Sócrates, uma vez que as pessoas eram levadas a refletirem sobre suas visões de mundo por si próprias, sem a invalidação e o cancelamento, gerando um maior entendimento.
Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação promover propostas de debates nas instituições básicas de ensino, de forma que, desde o início, opiniões e discussões possam ser mediadas por professores e levadas ao respeito mútuo. Logo, o pensamento de Habermas poderá ser tido como base para a elaboração de discussões entre grupos distintos com maior equilíbrio.