Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/06/2021
O cancelamento têm sido assunto decorrente de debate na internet, devido à sua rápida ascensão e alcance, vistos nas ondas de repressão coletiva à figuras públicas de influência, estando estas expostas a discursos de ódio. Um exemplo desta conduta são as retaliações à blogueira Gabriela Pugliesi, em 2020. O ato, ainda, advém da Antiguidade, com o ostracismo grego, e se repete ao longo das décadas de diversas formas e em vários locais.
As plataformas digitais, como Instagram e Twitter, comportam milhões de usuários, sendo grandes porta vozes para a disseminação de ideias e movimentos, como o cancelamento. Este é frequentemente submetido à personalidades públicas que cometem erros de conduta ética e estão sujeitos a influenciar uma vasta gama de seguidores. No entanto, esses também podem estar suscetíveis à comentários de teor repugnante e até mesmo ameaças à vida.
Ademais, durante a pandemia de Covid-19 em 2020, a “influencer” Gabriela Pugliesi sofreu fortes críticas por promover uma festa clandestina em sua casa. O caso tomou grandes proporções que resultaram na perda de milhares de seguidores em seu perfil do Instagram e milhões em patrocínios, além de ter que se retratar publicamente, servindo de exemplo à outros indivíduos.
Outrossim, a manutenção do direito à liberdade de expressão individual se fez evidente na democracia Ateniense, durante as votações populares realizadas com o intuito de selecionar indivíduos considerados ameaças à ordem social para serem exilados da polis.
Portanto, faz-se necessária a implementação de projetos de supervisão dos comentários em redes sociais, realizados pelos desenvolvedores das plataformas, à fim de suspender contas associadas a ameaças à indivíduos. Dessa forma, o direito de opinião pública e soberania popular vinculado ao cancelamento será mantido, sem ferir os direitos humanos.