Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/06/2021

O episódio “Odiados Pela Nação”, da série de televisão britânica “Black Mirror”, retrata a história de indivíduos cancelados nas redes, que eram perseguidos e mortos por tecnologias. Fora da ficção, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à cultura do cancelamento, que prejudica seriamente a vida das pessoas que passam por isso. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da Influência da mentalidade social e da falta de empatia.

Em primeiro plano, ao analisar a questão pelo prisma da imposição de padrões sociais, é possível entender melhor a problemática. De acordo com o psicanalista Sigmund Freud, os sujeitos tendem a se adequar à sociedade para sentir pertencimento. Tal visão se relaciona com o debate a respeito da cultura do cancelamento pelo fato de que a grande maioria dos indivíduos participam desse movimento para se integrarem e mostrarem aos outros que eles também são contra a ação praticada pelos cancelados. Assim, esse ato de criticar e demonstrar repúdio a um comportamento, serve para indicar que o indivíduo cancelador é um ser moral, melhorando a sua própria imagem. Entretanto, o problema se intensifica pela falta de moderação das ofensas.

Em paralelo, a incapacidade de se colocar no lugar do outro fortalece a problemática. Sob esse viés, na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o autor José Saramago usou o conceito de “cegueira social” para criticar o comportamento egoísta da sociedade. Nesse contexto, é notório que grande parte da sociedade brasileira carece de empatia, e acaba gerando um grande sofrimento para os indivíduos cancelados, o que muitas vezes é desproporcional ao ato cometido. Diante disso, é preciso olhar para tal grupo e se colocar no lugar dele para reverter a questão.

Portanto, é imprescindível atuar sobre esse problema. Para isso, as mídias digitais, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, devem criar uma campanha sobre empatia, por meio de postagens e divulgações de aulas nas redes sociais, a fim de ensinar e discutir o problema, e dessa forma, combater a cultura do cancelamento. Ademais, tal ação pode, ainda, contar com o depoimento de indivíduos que passaram pela situação, indicando as consequências negativas da experiência em suas vidas. A partir dessas ações, espera-se que histórias semelhantes às do seriado “Black Mirror” não se repitam no mundo real.