Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/06/2021

A cultura de cancelamento é um fenômeno atual, que surgiu com as redes sociais e se caracteriza por criticar — e muitas vezes ofender — indivíduos que por ventura realizaram algo que vai contra os princípios dos acusadores. Geralmente, as principais vítimas são os famosos, que têm suas vidas expostas e vigiadas na Internet e são alvo de desrespeito por seus “haters”. Dessa forma, em razão da má influência da mídia e da falta de empatia dos indivíduos, surge um problema complexo que precisa ser revertido.

Sob um primeiro olhar, é preciso destacar que a má influência midiática é uma causa latente do problema. Nessa linha de pensamento, se percebe que a mídia é constituída por todos os usuários da Internet e, por isso, são eles que a controlam, seja para o bem ou mal. Entretanto, segundo o filósofo Bourdieu, o que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Dessa maneira, entende-se, em relação à cultura do cancelamento, que a mídia descumpre sua principal tarefa, já que incita ao ódio e culpa as pessoas consideradas alvos fáceis: as celebridades. Logo, não sabem o que ocorreu de fato, mas igualmente julgam, como é o caso do jogador de futebol Neymar Jr, culpado diversas vezes por crimes dados sem base em fatos.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de empatia dos indivíduos na sociedade. Sob esse viés, o filósofo Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Em consequência disso, percebe-se que as pessoas não têm usado a linguagem para praticar a empatia, ou seja, se colocar no lugar do acusado e, se sentir a necessidade de julgá-lo, procurar entender a situação e os fatos. Dessa forma, já que na maioria das vezes não há a análise da situação e os acusadores publicam argumentos sem embasamento sobre a vítima, é inevitável que ocorra a permanência do problema na sociedade, tornando sua resolução mais dificultada.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Governo, em parceria com as escolas e famílias, realize um projeto de conscientização das crianças, futuras formadoras de opinião da Geração Z, ensinando-os a importância do uso da empatia e da verdade no julgamento dos acontecimentos, objetivando que o problema da cultura do cancelamento seja, ao longo das gerações, sanado. Tais ensinamentos devem ser realizados por meio de palestras, no período do contraturno e abertos para comunidade, para que, cada vez mais, sejam formados cidadãos na busca de resoluções. A partir dessas informações, poderá se consolidar um Brasil melhor e empático.