Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/06/2021

A Cultura do Cancelamento é um termo que surgiu em 2017 a partir do movimento denominado Me Too, no qual vítimas de assédio e abuso sexual se mobilizaram para expor imbróglios há anos escondidos, e vem ganhando cada vez mais visibilidade principalmente nas redes sociais. Cancelar significa boicotar determinada pessoa ou empresa em razão de erro ou conduta reprovável como posturas machistas e preconceituosas. Contudo, apesar de ter um primórdio altruísta, tal prática pode assumir faces insensíveis e intolerantes.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que não apenas comportamentos condenáveis são alvos de boicote, mas também opiniões contrárias sobre diversos temas, resultando em uma onda de intolerância ideológica e entrando em divergência com o direito de liberdade de expressão garantido pela Constituição Federal de 1988 vigente atualmente no Brasil. Em segundo lugar, é necessário deixar evidente que a Cultura do Cancelamento cancela pessoas sem dar-lhes a oportunidade de aprendizado e amadurecimento, restringindo estas aos seus erros.

Um exemplo recente da Cultura do Cancelamento no meio virtual ocorreu com a digital influencer Gabriela Pugliese que, durante a pandemia e isolamento social, meses após ter recebido o diagnóstico de COVID-19, realizou uma festa em sua casa. A anfitriã foi imediatamente cancelada, com a consequente perda de diversas parcerias. Apesar do pedido de desculpas e reconhecimento do erro, o cancelamento permaneceu, aproximando-se do linchamento virtual.

Portanto, ficam claros os fatores que agravam a cultura do cancelamento no Brasil. Em razão disso, cabe ao Ministério da Educação promover atividades socioeducativas, por meio de psicólogos que expliquem as sequelas que o cancelamento pode causar na vida de alguém, incentivando também a empatia com o próximo, a fim de que as pessoas revejam seus atos no meio virtual. Ademais, a mídia deve, por intermédio de propagandas com artistas já cancelados, mostrar ao público a importância de escutar e entender o lado do outro, para que haja mais tolerância. Dessa forma, o ódio não será mais usado como uma ferramenta de justiça.