Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/06/2021

Indubitavelmente, a Terceira Revolução Industrial foi essencial para aprimorar tecnologias que até hoje acompanham o homem, como os computadores e a internet. Com a possibilidade de conectar computadores do mundo todo, não tardou até que surgissem as famigeradas redes sociais, como o Twitter e o Instagram, que contam com um número de 99 milhões de usuários brasileiros, de acordo com o ABCReporter. Todavia, com esse espaço para a publicação de opiniões, chovem comentários de ódio, que compõem o “cancelamento”, direcionados à pessoas públicas, configurando uma série de problemas que, em uma reação em cadeia, só tendem a atrapalhar o convívio em sociedade. Dessa forma, em razão da impunidade desses atacantes, surge um problema complexo.

Antes de tudo, é preciso atentar para a impunidade daqueles que praticam ataques cibernéticos, que encontram solo fértil na facilidade de se manterem anônimos nas redes sociais. Nesse contexto, são inúmeras as ocorrências de ataques em massa que têm, na maioria das vezes, celebridades como alvo, como no caso do cantor sul-coreano Baekhyun, do grupo EXO. De acordo com o Naver, um erro de tradução da língua coreana para a portuguesa foi responsável por tornar uma das falas do artista problemática, o que viralizou mundialmente. Consequentemente, ele foi “cancelado” e, por este motivo, passou a receber ameaças de morte e ataques vindos de usuários que se escondiam por trás de perfis falsos no Twitter e nunca sofreram as consequências de seus atos. De maneira análoga, esse fenômeno ocorre diariamente na realidade brasileira, visto que sempre há um novo “cancelado”.

Ademais, vale ressaltar que os resultados destes linchamentos cibernéticos podem trazer problemas gravíssimos à saúde mental dos cancelados, como é abordado no documentário “Miss Americana”, de Taylor Swift. Na obra, é documentada a vida da artista enquanto se mantém isolada do mundo por um ano inteiro, ao mesmo tempo que recebe tratamento para depressão, causada por um cancelamento acarretado por fake news. “Quando você diz que alguém foi cancelado, não é um programa de TV. É um ser humano. Você está enviando grandes quantidades de mensagens para essa pessoa para que ela se cale, desapareça ou que também podem ser interpretadas como “se mate”, desabafa Taylor.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é necessário que a Polícia Federal, juntamente com o Supremo Tribunal, promova a criação de uma subdivisão que se encarregue de investigar perfis falsos que propaguem o ódio nas redes sociais, de modo que eles possam ser julgados pelo Poder Judiciário. Dessa forma, os canceladores passarão a compreender a gravidade do assunto, e pensarão melhor antes de atacarem as pessoas.