Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/06/2021

A Constituição Federal de 1988, jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5°, que o direito é livre em manifestações do pensamento como inerentes a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais, pode-se destacar a importância das discussões, e da tolerância com princípios diferentes dos que são ambientalizados. Assim, de acordo com o jornal BBC, o movimento do cancelamento começou com o intuito de chamar a atenção para injustiças sociais e para preservação ambiental, uma voz para grupos oprimidos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, com manifestações livres do pensamento, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o discurso de ódio na internet, que é intensificado e a reputação do cancelado também é afetada. A partir disso, muitas vezes, o cancelamento é feito sem que o cancelado possa se justificar e essas consequências podem atingir até o meio laboral do indivíduo, como o que aconteceu com a blogueira Gabriela Pugliesi, a qual fez uma festa durante a quarentena contra a COVID-19 e, por isso, foi cancelada nas redes sociais e perdeu seguidores, totalizando a perda de 150 mil seguidores. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Poder Público, responsável por garantir a prática da cidadania nacional, em parceria com a mídia, deve incentivar que as pessoas raciocine as suas atitudes de cancelamento e pratiquem o diálogo entre elas, por meio de propagandas nas televisões e, principalmente, nas redes sociais, a fim de que essa cultura não seja mais intensificada, o objeto inicial desse movimento seja retornado e mais brasileiros possam aprender com os seus erros. Assim, se consolidará uma sociedade mais humana, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.