Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/06/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, garante a todos os indivíduos o direito à liberdade de opinião e expressão. Nesse sentido, a cultura do cancelamento impede que a população usufrua desse direito internacional, uma vez que acarreta em diversos problemas psicológicos em virtude das pessoas não concordarem com as opiniões alheias expostas nas redes sociais. Desse modo, observa-se um delicado problema que tem como causas a má influência midiática e o individualismo.
Em primeiro plano, a má influência midiática é um entrave no que tange à cultura do cancelamento nas redes sociais no mundo contemporâneo. Isso pode ser explicado segundo o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu que diz, “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Tal afirmação comprova que as mídias sociais, em vez de promover debates que elevem o nível de informação e empatia da população, influencia na consolidação do problema e gera diversos distúrbios psicológicos, como crise de ansiedde, depressão e insegurança. Dessa forma, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é urgente.
Ademais, o individualismo é um desafio que influi decisivamente na consolidação do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao julgamento e a exclusão, no sentido social, das opiniões pessoais sobre os mais variados assuntos nas redes sociais. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si.
Destarte, torna-se indispensável a elaboração de medidas com o intuito de gerar políticas que amenizem o cenário da cultura do cancelamento. Portanto, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas públicas, criar leis para regulamentar os comentários feitos na internet que ferem a dignidade do ser humano, bem como instruir a população, por meio de postagens, a terem mais empatia com o próximo e não ofendê-las pelas suas próprias opiniões, a fim de diminuir tal condenação que abala os usuários da internet. Dessa forma, espera-se frear tal problemática.