Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/06/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, dificultando, deste modo,a universalização desse direito social tão importante. O problema é que muitos brasileiros não estão acostumados com as diferentes opiniões.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o cancelamento na sociedade, em certa parte decorrente do número de pessoas que usam a internet para se expressar. Nesse sentido, o país fica sobrecarregado em ver métodos para solucionar tais problemas. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à saúde, pois enquanto houver a liberdade de poder na internet, haverá ainda mais pessoas com problemas mentais e de saúde, causados pelo excesso da rede, que são graves problemas que o Brasil enfrenta.
Ademais, cabe pontuar que, normalmente, as figuras públicas são as mais perseguidas pelos canceladores, pois atingem um número mais alto de pessoas. Segundo Elis Monteiro, especialista em marketing digital e gerenciamento de crises digitais, ‘’A rede mais complicada é o Twitter, por ser a mais ágil, viral e nichada: é mais fácil que um grupo de pessoas que ama ou odeia alguma coisa ou alguém propague rapidamente informações - verdadeiras ou falsas - a respeito daquela coisa ou pessoa’’. A especialista também comenta a questão do “exposed”, nas palavras dela, é “assustador”. ‘’No exposed, alguém diz, sem apresentar provas, que você fez ou faz alguma coisa, e ninguém questiona, ele cria uma onda assustadora de linchamento, sem a menor chance de defesa’’.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo do Brasil e o Ministério da Tecnologia, juntamente com o Ministério da Justiça, por intermédio de palestras online com especialistas da área e campanhas em programas de televisão, mostrem pessoas que passaram por situações de cancelamento, a fim de amenizar os problemas causados pelo mesmo. Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.