Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/06/2021
A atitude influenciadora digital Gabriela Pugliesi, em abril de 2020, perdeu contratos de marcas famosas por descumprir com os procedimentos de distanciamento social quando realizou uma festa em sua casa e publicou nas redes sociais, vista como irresponsável pelos seus seguidores. É perceptível que tal situação exemplifica a realidade moderna, visto que o confronto entre a cultura do cancelamento e a ressocialização do indivíduo representa um obstáculo na sociedade brasileira, seja pela falta de empatia da população, seja pela necessidade de identidade. Diante disso, torna-se imprescindível uma discussão sobre os aspectos, um fim do funcionamento social.
Em primeira análise, é fulcral pontuar o egoísmo como promotor do problema. Em sua obra “A era do vazio”, o filósofo francês Gilles Lipovetsky afirma que a cultura do sacrifício está morta, e, por conseguinte, não se sente mais a dor do outro. Nesse sentido, nota-se que a alta velocidade com que as informações são propagadas na internet acarreta na volatilidade dos usuários, haja vista que, no âmbito cibernético, as pessoas são “canceladas”, muitas vezes, por erros momentâneos. Tal linchamento virtual, por parte da população, ocorre sem a ponderação das consequências negativas que tais opiniões podem geram para uma ressocialização posterior do indivíduo que sofre essas disseminações de ódio. Dessa maneira, faz-se mister a reformulação dessa maneira de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar que a questão deriva da carência de identidade por parte da população. O livro “Mayombe”, do escritor Pepetela, retrata a luta de independência da Angola, na qual os soldados encontravam-se em diversos conflitos internos por valorizarem o pertencimento a tribos distintas. De maneiraogaoga à ficção, constata-se que uma cultura do cancelamento possui um caráter ambíguo, visto que pode garantir a proteção de comunidades minoritárias, como os negros e homossexuais, porém é também capaz de apresentar-se de forma destrutiva, ao promover a membros a grupos com ideologias distintas. Tal tribalismo atua como um empecilho para uma reintegração social dos “cancelados”, uma vez que essa distinção ideológica é, infelizmente, influente na mentalidade nacional e dificuldade, por exemplo,
Sendo assim, a fim de ressignificar os valores morais e garantir uma digna reinserção social dos “cancelados”, é mister que os meios midiáticos de maior influência na sociedade, mediante a transmissão de propagandas e anúncio em programas de televisão e rádio, explicitem a necessidade de um sentimento de nacionalidade coletiva por parte da população. Assim, atenuar-se-á, em médio a longo prazo, os impactos nocivos do confronto entre a cultura do cancelamento e a ressocialização do indivíduo, e situações semelhantes à de Pugliesi não serão presenciadas com frequência.