Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/06/2021

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase da filósofa Hannah Arendt, aponta a importância da manutenção do direitos na sociedade. No entanto, no que concerne a questão da cultura do cancelamento, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos, uma vez que o ódio e a violência propagados durante o cancelamento, se tornaram um grave problema para a sociedadade brasileira. Nesse contexto, a cultura do cancelamento é um desafio no Brasil e persiste devido, não só ao sentimento de injustiça, mas também à falta de responsabilidade coletiva com o que é dito na internet.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o sentimento de injustiça. Nesse sentido, grupos sociais principalmente as minorias, constantemente sofrem preconceito nas redes sociais o que gera um sentimento de injustiça, que culmina em cancelamentos, muitas vezes desproporcionais a ação dos cancelados. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a justiça, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de responsabilidade coletiva com o que é dito na internet, como impulsionador da cultura do cancelamento no Brasil. Compreende-se portanto que pessoas estão sendo canceladas, na maioria das vezes, por pequenos deslises que geram consequências drásticas para a imagem pública do cancelado, resultando em perda de emprego, cancelamento de contratos e exclusão social. Diante de tal exposto, fica claro que  o cancelamento não se mostra como a maneira mais acertiva de chamar atenção para problemas sociais. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Torna-se evidente, potanto, que os caminhos para a luta contra a cultura do cancelamento apresentam entraves que necessitam ser revertidos. Para isso, é imprescindível que as Redes Sociais, como Facebook e Twitter, por meio de políticas de comunidade, promovam medidas mais acertivas em relação a pessoas que publicam de maneira irresponsável mídias que podem afetar negativamente a sociedade, a fim de que todos tenham uma convivência mais saudável e harmônica nas redes sociais. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “Contrato Social”, tal como afirma Jonh Locke.