Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/07/2021
A septuagenária obra “1984”, de George Orwell, é uma ficção social e política com uma mensagem pujante aos dias atuais, pois é retratado uma manipulação de massa e o controle da vida das pessoas. Análogo a isso, pode-se dizer que o hábito de questionar o comportamento humano é um desafio que percorre o tempo da existência da própria raça humana e, com o avanço dos meios de comunicação, padrões surgem e quem não os seguem são atacados. Nesse sentido, a influência da mídia e a maneira de agir e pensar em sociedade são os principais entraves para solucionar a problemática.
Sob esse viés, a mídia possue um grande papel de influência no comportamento dos usuários. Consoante ao pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu, “Aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”, ou seja, os meios de comunicação têm ampla importância para o desenvolvimento da sociedade, mas muitos indivíduos a usam de forma errônea. Desse modo, com o crescimento das redes sociais, muitas pessoas utilizam para fazer julgamentos e críticas com base, apenas, no que é exposto na internet.
Além disso, outro ponto relevante é o fato social, ou seja, o modo de agir e pensar em sociedade. De acordo com um dos conceitos produzidos pelo sociólogo Émile Durkheim, que diz respeito sobre os hábitos dos indivíduos em grupo, a existência de regras e valores “obrigam” as pessoas a agirem de acordo com os padrões culturais. Diante disso, quando se tem um comportamento fora do convencional, tais pessoas são consideradas como desajustadas e muitas vezes são punidas pelo cancelamento, recebendo diversos ataques na mídia.
Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para atenuar os problemas relacionados à cultura do cancelamento. Dessa forma, é imprescindível que o Poder Legislativo crie medidas para reduzir os casos de ataques nas redes, por meio de leis para punição de tais indivíduos e, cabe também a mídia, desenvolver campanhas de conscientização sobre a importância da liberdade de escolha e opinião, a fim de diminuir os problemas relacionados aos julgamentos, críticas e o comportamento considerado “padrão” nos meios de comunicação. Tais ações devem, ainda, fazer com que não seja influente, assim como o Orwell dizia, “a manipulação de massa no controle da vida das pessoas”.