Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2021
A introdução na Era Digital é a característica mais marcante do século XXI, sendo esse o fenômeno marcado pelo avanço das mídias sociais e, consequentemente, de novas problemáticas relacionadas. Nesse contexto, coloca-se em pauta, no hodierno pátrio, o debate sobre a cultura do cancelamento que instaura-se em meio às configurações sociais contemporâneas. Isso posto, cabe a análise da estrutura sociocultural que orienta a problemática, além da observação acerca da educação digital como ferramenta interventiva.
Em primeira análise, segundo Guy Debord, cineasta e filósofo, as relações humanas na modernidade passam a ser mediadas por imagens, tornando a centralidade da comunicação coletiva a espetacularização do cotidiano. Sob essa ótica, o entendimento acerca da dinâmica no ambiente digital pode ser analisado na perspectiva dos espetáculos e da criação de antagonismos, comumente alimentando o discurso de ódio ao serem identificados supostos inimigos comuns. Diante disso, os espaços midiáticos tendem, historicamente, a serem usados para atacar grupos ou indivíduos, despersonalizando e desumanizando às vítimas dos ataques — como durante o Terceiro Reich, em que Joseph Goebbels utilizou do aparato midiático para reprodução de ataques em massa para destruição da imagem de grupos, legitimando atitudes violentas contra esses.
Paralelo a isso, a Constituição Cidadã de 1989 estabelece o dever estatal na ordenação de políticas capazes de promover a coesão social, construindo um ambiente harmônico para a convivência populacional. Nesse sentido, a instauração da educação digital no ambiente escolar é essencial para que a cidadania possa ser vivenciada de maneira efetiva nas Redes sociais, tendo em vista que, de acordo com Kant, os males sociais recaem sobre as trajetórias socioeducativas do indivíduo. Desse modo, para conter a onda dos cancelamentos virtuais é de suma importância que compreenda-se a raiz educacional da problemática, tornando possível o cumprimento de diretrizes constitucionais.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação promover nas Universidades Públicas do país — voltando-se aos cursos de Ciências Políticas e Sociais, Pedagogia e Psicologia — pesquisas quali-quantitativas voltadas ao estudo da superestrutura e infraestrutura que, paralelamente, criam um ambiente sociocultural e educacional favorável ao surgimento dessa mazela social. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas, políticas afirmativas e educativas, capazes de intervir no cenário atual, promover a cidadania no espaço virtual e remediar males que surgem com a Era Digital.