Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/07/2021

O episódio “Odiados Pela Nação” da série Black Mirror retrata em suas cenas sobre indivíduos que semanalmente são escolhidos pela população para morrerem. Essas pessoas utilizavam suas  redes sociais para comentar e desejar a morte dos outros, e aqueles que fossem os mais comentados morreriam. Na realidade contemporânea, não é incomum o ato de cidadãos, por meio das redes sociais direcionarem ataques e mensagens de ódio a pessoas que realizaram alguma ação julgada como errada, tal julgamento representa parte de uma cultura do cancelamento. Nesse sentido, isso ocorre devido à trivialidade da prática e o efeito manada, que contribuem negativamente à problemática.

Em primeiro plano, evidencia-se que a banalização do mal favorece a complexidade do problema da cultura do cancelamento. De acordo com a filósofa e escritora Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente as pessoas param de vê-la como atitudes erradas. Desse modo, a cultura do cancelamento é intensificada na sociedade, uma vez que direcionar mensagens e comentários agressivos aos cancelados é naturalizada e incentivada pelos praticantes, perdurando-se cada vez mais no corpo social.

Ademais, o comportamento de manada presente na sociedade impulsiona a cultura do cancelamento. Acerca disso, o documentário “A Vida Após o Tombo” conta a história da ex-participante Karol Conka, que foi eliminada do reality show Big Brother Brasil com 99% dos votos, registrando a maior rejeição de todo o programa. Em cenas do documentário é exposto comentários e ameaças de morte que a participante recebe de vários internautas. Essas condutas, configuram-se com o termo conhecido por efeito manada, em que um grande grupo de pessoas reagem todos da mesma forma. Dessa maneira, o efeito manada levou Karol Conká a receber a maior rejeição do Brasil.

Portanto, estratégias são necessárias para amenizar a cultura do cancelamento. Para isso, o governo Federal deve, por intermédio dos Ministérios da Educação e da Justiça e Segurança Pública, criar um projeto com publicações nas redes sociais dos próprios ministérios, em que seja debatido incentivado que as pessoas reflitam sobre suas atitudes de cancela e que pratiquem um diálogo e não o linchamento daqueles que foram cancelados, afim de conscientizar a população. Em comentários depreciativos e ameaças, o Ministério da Justiça deve punir tais infrações, com o objetivo de assegurar e combater os crimes de ódio. Assim, episódios como o da série Black Mirror, não se fará presente na sociedade conteporânea.