Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/07/2021

O episódio Odiados Pela Nação, da série Black Mirror, retrata indivíduos que semanalmente são escolhidos pela população para morrerem. Essas pessoas utilizavam as redes sociais para comentar e desejar a morte dos outros, e aqueles que fossem os mais comentados morreriam. Na realidade contemporânea, não é incomum o ato de cidadãos, por meio das redes sociais, direcionarem ataques e mensagens de ódio a pessoas que realizaram alguma ação julgada como errada, e tal julgamento representa parte de uma cultura do cancelamento. Nesse sentido, isso ocorre devido à trivialidade da prática e ao efeito manada, que contribuem negativamente à problemática.

Em primeiro plano, evidencia-se que a banalização do mal favorece a complexidade do problema da cultura do cancelamento. De acordo com a filósofa e escritora Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como uma conduta errada. Desse modo, o hábito de julgamento é intensificado na sociedade, uma vez que direcionar mensagens e comentários agressivos aos cancelados é algo naturalizado e incentivado pelos praticantes, perdurando-se cada vez mais no corpo social.

Ademais, o comportamento de manada presente na sociedade impulsiona a cultura do cancelamento. Acerca disso, o documentário A Vida Após o Tombo conta a história de Karol Conká, que foi eliminada do reality show Big Brother Brasil com 99% dos votos, registrando a maior rejeição de todo o programa. Em cenas do documentário são expostos comentários e ameaças de morte que a participante recebe de vários internautas. Essas condutas configuram-se com o termo conhecido por efeito manada, em que grupos de pessoas reagem todos da mesma forma. Dessa maneira, o efeito manada levou Karol Conká a receber a maior rejeição do Brasil.

Portanto, estratégias são necessárias para amenizar a cultura do cancelamento. Para isso, o governo Federal deve criar, por meio do Ministério Educação, um projeto com campanhas educativas nas escolas, tanto para os pais como aos filhos, e nas redes sociais do próprio ministério. Nessas campanhas serão debatido e incentivado que as pessoas reflitam sobre suas atitudes de cancelamento e que pratiquem o diálogo e não o linchamento daqueles que cometeram algo julgado como errado, a fim de conscientizar a população sobre suas ações tóxicas de cancelamento. Assim, episódios como o da série Black Mirror, não se farão presentes na sociedade contemporânea.