Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/07/2021

Em meados de 2011, sobretudo no norte da África e no Oriente Médio, insurgiram protestos contra as ditaduras instauradas nessas regiões, os quais ficaram conhecidos por Primavera Árabe. Esse movimento teve as redes sociais como meio para a divulgação dos seus ideais, o que comprova a importância da internet para a consolidação da cidadania na atualidade. Todavia, essa ferramenta nem sempre é utilizada de forma benéfica, visto que a cultura do cancelamento, também propagada por meio dela, atinge cada vez mais cidadãos ao redor do mundo devido a questões não apenas sociais, mas também legais. Para que essa realidade não perdure, atitudes devem ser tomadas.

Um primeiro aspecto responsável pelo problema consiste na má utilização das redes sociais pela população. Inicialmente, o movimento cibernético que motivou a criação do termo “cultura do cancelamento” consistiu em postagens, nas redes sociais, de atitudes questionáveis tomadas por pessoas ou por instituições, objetivando dar maior visibilidade a minorias sociais ou a causas ambientais. Essas postagens, contudo, tomaram proporções indevidas, uma vez que os seus protagonistas passaram a ser julgados, muitas vezes injustamente, por um público que não estava disposto a ouvir justificativas, bem como a investigar a veracidade das informações divulgadas, o que resultou na perda de empregos, em prejuízos econômicos, entre outras consequências danosas.

Ademais, vale ressaltar que a impunidade de crimes virtuais corrobora a continuidade do problema, o que é resultado da recente adesão da sociedade civil à internet. Esta foi criada pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria para promover melhor comunicação entre soldados em um possível embate armado, o que otimizaria os ataques bélicos. Com o fim desse período, o uso dessa ferramenta foi ressignificado, principalmente no final do século XX. O acesso à internet pelos civis é, portanto, recente, o que justifica a precariedade de leis que protejam os seus usuários contra crimes virtuais, como boicotes e humilhações, sofridos comumente pelas pessoas “canceladas”.

Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Governo Federal, por intermédio do Ministério dos Direitos Humanos. Esse órgão deve conscientizar a população sobre a seriedade da cultura do cancelamento, por meio de campanhas educativas, transmitidas, por exemplo, nas redes sociais, a fim de evitar que mais cidadãos sofram os danos desse movimento. Além disso, o Poder Legislativo deve legitimar os ataques virtuais como crimes de responsabilidade, mediante criação de leis que atendam às demandas específicas do ambiente virtual, como a acertiva identificação de usuários, para reduzir a impunidade de crimes virtuais, o que evitará a má utilização da internet pelos cidadãos.