Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/07/2021

Nós, os povos

A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos o direito à liberdade. Partindo dessa máxima, a livre expressão, na atual cibersociedade, constitui-se como um agente positivo de mudança social no que diz respeito à luta das minorias. Entretanto, quando esse agente é usado para ferir a integridade do outro, transforma-se em um aspecto negativo dentro do contexto cultural de um povo, o que torna necessário o seu combate efetivo por meio de debates que informem o ônus da cultura do cancelamento na sociedade brasileira.

Diante desse cenário, a Revista Science publicou, em 2019, pesquisas que evidenciam o lado positivo da chamada “cultura do cancelamento”. Segundo esses estudos, a incidência de atos racistas, machistas ou homofóbicos, nas mídias sociais, reduziu em 75% em comparação aos anos em que a internet era considerada uma “terra sem lei”. Logo, isso significa que a repreensão social coletiva age como agente modelador da sociedade, sendo responsável por influir a construção de uma nação mais igualitária e conhecedora das pautas debatidas e combatidas pelas classes minoritárias.

Em contrapartida, o uso do cancelamento social com a finalidade de reprimir e oprimir ideologias ou posicionamentos que vão de encontro aos padrões aceitos pela sociedade, enraiza na nação verde e amarela uma cultura de intolerância e apatia. Essa assertiva é confirmada pelo chefe de psiquiatria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o qual afirma que, em decorrência dessa opressão social, milhares de brasileiros são condicionados a viver em uma realidade sociocultural cada vez mais excassa de liberdade expressiva. Assim, faz-se necessário a promoção de um debate, que informe à população, acerca do ônus deixado na vida daqueles que foram “cancelados”.

Destarte, parafraseando a carta da Organização das Nações Unidas, nós, os povos, é que seremos responsáveis pela construção da harmonia no tecido social nacional. Para isso, é preciso a união dos agentes da mudança no combate ao cancelamento hostil e apático. Nesse sentido, cabe ao Poder Legislativo e ao Governo Federal, criar e efetivar medidas públicas, voltadas para o âmbito educacional, que visem promover, por meio de palestras e debates, os impactos da cultura do cancelamento na vida de um indivíduo.  Somado a isso, cabe aos veículos midiáticos, por intermédio de propagandas, difundir esse assunto. Desse modo, a partir da ação conjunta desses agentes, ter-se-á um país mãe gentil para todos, em que o erro é cancelado, mas a empatia e o respeito ao próximo são difundidos em sua cultura.