Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/07/2021
Na Idade Antiga, em Atenas, houve o julgamento e execução do filósofo Sócrates, sob a acusação de corromper os jovens atenienses e insultar as tradições religiosas. Sob o viés atual, a condenação de Sócrates pode ser vista como um ato de cancelamento social, provando assim que a cultura do cancelamento existe desde os primórdios da humanidade. Logo, existem as causas e consequências de tal atitude, sendo ela a necessidade e sensação de realizar “justiça com as próprias mãos” que culmina em uma punição moral que não corrige a atitude do indivíduo, apenas a aponta como errada.
Em primeiro lugar, é importante aclarar o que leva a necessidade de a sociedade se sentir no dever de realizar tais “punições”. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, existe a teoria das “Instituições zumbis”, nas quais várias instituições, dentre elas o Estado, estão perdendo sua função social, fato que dialoga com a temática, já que a precariedade do sistema judiciário e legislativo leva a população a não confiar no Estado para julgar e punir atitudes condenáveis, o que leva ao condição de instituição zumbi e assim a necessidade de realizar “justiça com as próprias mãos” por parte da sociedade.
Dessa forma, ao realizar o cancelamento de uma pessoa por não achar moralmente ou eticamente a atitude correta, a sociedade realiza o papel punitivo, porém não o papel educativo. A cultura do cancelamento é prejudical ao ponto de vista que apenas pune e não educa o indivíduo para o que ele fez de equivocado, nem o dá uma chance de se retratar, uma vez que cancelado essa pessoa perde seu local de fala e sofre gandes imapactos em sua vida. De acordo com Nelson Mandela “A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo”, frase que se relaciona com a falta do papel educativo na cultura do cancelamento, já que apenas cancelar não resolve a raiz do problema, mas a educação dessas pessoas confere uma mudança no mundo.
Em conclusão, a cultura do cancelamento é decorrente de um sitema judiciário pouco efetivo e pouco agrega para a sociedade, pois não educa as pessoas canceladas. Sendo assim, medidas se fazem necessárias para com a problemática. É necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério das Comunicações, crie debates acerca da cultura do cancelamento, seus impactos e o lapso da educação sobre a temática do cancelamento, bem como propagandas televisivas que informe sobre as nuances da problemática, por meio do agregamento de tais debates na grade curricular comum, a fim de que a população compreenda que a cultura do cancelamento não é instrutiva e pedagógica, apenas punitiva, haja vista que pouco constrói para o mundo.