Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/07/2021

O “Big Brother Brasil”, “Reality Show” produzido pela rede Globo, no ano de 2021 contou com a presença de celebridades, entre elas a cantora Karol Conká, que foi “cancelada”, processo que consiste na exclusão da posição de influenciador, por conta de suas atitudes consideradas prejudicais aos outros participantes. Nesse panorama, fora das telas, o cancelamento se tornou uma prática recorrente no País. Decerto, isso decorre tanto da exposição exacerbada nas redes sociais quanto pela falta de empatia nas relações modernas. Assim, faz-se mister debater sobre esse fenômeno, a fim de compreender sua origem e seus efeitos.

Sob esse viés, a exposição da vida pessoal na internet é um dos principais motivos desse cenário. Segundo o filósofo Guy Debord, na sua tese da “Sociedade do Espetáculo”, os relacionamentos modernos são mediados pela imagem e marcados pela célere perpetuação de notícias e dos juízos de valores. Nessa perspectiva, observa-se que as redes sociais, como o Instagram, contribuíram para essa rápida disseminação de conteúdos digitais na sociedade, já que as fotos e vídeos compartilhados são repassadas para inúmeras pessoas, conhecidas ou não. Consequentemente, o conteúdo postado gera interpretações, positivas e negativas, que podem servir de estopim para o cancelamento, de acordo com a interpretação de outrem. Dessa maneira, entende-se que os meios digitais são potenciais perpetuadores de padrões sociais, sendo o cancelamento um deles.

Além disso, a falta de empatia entre os indivíduos é um agravante da problemática. Nessa óptica, a filósofa Hannah Arendt formulou o conceito de “Banalidade do Mal”, no qual afirma que a maldade faz parte da base da coletividade, o que torna as interações interpessoais mais caóticas. Indubitavelmente, colocar-se no lugar do outro é de suma importância para entender a motivação de determinadas atitudes. No entanto, a falha nesse exercício de compreensão corrobora o pensamento de Arendt, visto que se nota, nos meios digitais ou no mundo real, a não aceitação de cidadãos que já agiram de maneira duvidosa. Dessa forma, enquanto a empatia não for exercitada, a nação verde-amarela continuará sendo “canceladora”.

Logo, é fundamental que ocorra o debate sobre a cultura do cancelamento, visando compreendê-la. Nesse sentido, as mídias, como televisão e rádio, devem ter sua atuação dirigida à coletividade. É imprescindível que a interferência midiática seja feita através de propagandas e campanhas que contem com a participação de nomes influentes, exemplo atores e cantores, que levarão ao público informações sobre os efeitos negativos do cancelamento e de como exercitar a empatia nas relações modernas. Desse modo, a sociedade estará mais próxima de se colocar no lugar do outro e entendê-lo.