Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/07/2021

O Código de Hamurabi tinha como objetivo a justiça proporcional ao crime por exemplo, caso algum cidadão da Babilônia esfaqueasse alguém, ele seria igualmente esfaqueado. De maneira análoga, algo semelhante acontece na internet, os usuários usam a cultura do cancelamento como forma de punição e isso ocorre porque nas redes sociais dita-se a perfeição e há falta de empatia por parte da sociedade.                                                     Em uma primeira análise, cabe ressaltar a utopia existente no mundo virtual. Nesse sentido, parte-se do pressuposto que nas redes sociais as pessoas expõem a vida perfeita -onde não há erros. Nessa perspectiva, a cantora Manu Gavassi foi “cancelada” no programa “Big Brother Brasil” após uma fala, ela foi considerada uma pessoa racista e sofreu diversos ataques. Dessa forma, em razão de que só é exposto os prazeres, os inter- nautas desconsideram que pessoas comuns cometem falhas e acabam por afetar a saúde mental e a carreira de quem cometer algum desvio.            Outrossim, é importante destacar também que os cidadãos não sabem apoiar emocionalmente seus semelhantes. Nesse contexto, para os usuários das redes sociais, um simples erro é suficiente para ataques, independente de quantas vezes o “cancelado” tenha feito boas ações- caridade, doações. Consoante ao sociólogo Rousseau, o homem nasce bom, a sociedade o corrompe, logo, quando um indivíduo é julgado por um pequeno descuido, ele é corrompido. Por isso, infere-se que a população age indevidamente.                                                                                                        Evidencia-se, portanto, que as mídias e os sujeitos ignorantes fazem com que o cancelamento persista. Posto isso, cabe aos influenciadores digitais mostrarem, através dos meios de comunicação, a vida real -onde há imperfeições- a fim de acabar com a utopia de perfeição, consequentemen- te, encerrar o cancelamento. Ademais, cabe ao Estado, por intermédio do Ministério da Educação, implementar nas escolas, palestras que promovam empatia nos alunos com a finalidade de acabar a cultura de cancelar. Se assim for feito, esse costume problemático acabará.