Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 19/07/2021
No reality show “Big Brother Brasil”, da edição do ano de 2021, tornou-se notório o medo dos participantes de enfrentarem julgamentos na internet, além da tentativa de se enquadrarem no que é “politicamente correto”. Nesse cenário, é inegável a necessidade de minimizar a política do cancelamento nos espaços virtuais, pois isso pode impactar durante muito tempo na vida das pessoas, além de ser algo inconstitucional.
Em primeira análise, o linchamento virtual não é algo temporário para as vítimas. Segundo Ross Douthat, colunista do The New York Times, “Tenha um dia particularmente ruim, e as consequências podem durar enquanto o Google existir”. Isso explica o quanto é perigoso se expressar nas redes sociais, porque um momento de fragilização pode tornar-se algo que se assemelha à prisão perpétua, haja vista que os julgamentos poderão não ter fim. Posto isso, percebe-se o quanto essa cultura é prejudicial aos julgados, que terão de conviver com isso durante muito tempo.
Ademais, a política do cancelamento na internet viola o direito constitucional dos sujeitos. De acordo com a artigo 220.°, da Constituição Federal Brasileira de 1988, “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão, e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”. Dito isso, nota-se que os julgadores virtuais esquecem-se de que todos os indivíduos têm direitos constitucionais, como à liberdade de expressão, e, assim, não cabem a essas pessoas penalizarem o que é correto ou não.
Portanto, a cultura do cancelamento virtual pode resultar em julgamentos contínuos às vítimas, além de infringir a Constituição Federal. Diante dessa conjuntura, o Governo e a Secretaria Especial de Comunicação Social devem, juntos, disponibilizar verba, por meio de decretos, para o desenvolvimento de propagandas que visem à conscientização social sobre os impactos desses atos, e a necessidade de inverter essa situação. Dessa forma, as pessoas irão ter conhecimento sobre a negatividade desse cancelamento, e isso será menos notório na sociedade brasileira.