Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2021
No livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, percebe-se, que em um determinado momento da história, todos os animais que falavam mal do governo, momentos depois simplesmente apareciam mortos, fazendo com que os outros tivessem medo de expor suas opiniões. Fora da ficção, apesar da liberdade de expressão ser muito divulgada no Brasil, a cultura do cancelamento representa o linchamento virtual das ideias individuais por grupos ideologizados, criando um tipo de repressão específica do século XXI.
Em primeiro lugar, vale destacar que o assassinato de reputação nas redes é um problema a ser pontuado. Em sites como o Twitter, é possível, em fração de segundos, destruir a reputação de alguém. Um caso famoso foi o da escritora Joanne K. Rowling, autora da saga Harry Potter, que realizou um comentário de duplo sentido sobre pessoas transexuais, o que levou diversos fãs do mundo inteiro a se levantarem contra ela em suas redes, com comentários agressivos e desrespeitosos, impedindo-a de se defender. Com isso, percebe-se que grupos que agregam à cultura do cancelamento conseguem arruinar a reputação de qualquer pessoa em segundos.
Cabe ainda pontuar que um dos impulsionadores da problemática é a falta de regulação das mídias sociais. De acordo com o Código Penal Brasileiro, calúnia e difamação causam detenção de seis meses a dois anos. Contudo, como não há regulação nas redes sociais, qualquer usuário pode criar mentiras ou distorcer o que outra pessoa disse, buscando se integrar a essa cultura do cancelamento. Diante do exposto, é inaceitável que os líderes dessas empresas continuem inativos a essa problemática atual.
Conclui-se que ainda há obstáculos para garantir a solidificação de políticas que buscam a construção de um mundo melhor. Dessa maneira, é necessário que o Estado brasileiro, em parceria com os executivos das grandes empresas de mídias sociais, aprimore o regulamento de uso, através de reuniões e opiniões dos usuários, promovendo o uso consciente e responsável, de modo que a sociedade brasileira saiba usar as redes sociais com prudência. Com isso, ninguém terá medo de expor suas opiniões com responsabilidade, diferente do que acontecia na ficção de Orwell.