Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/07/2021

Para o autor Zygmunt Bauman, as redes sociais são armadilhas traiçoeiras, que não criam um bom diálogo entre as pessoas, extremamente tóxico e improdutivo. É nessas redes que várias pessoas comuns ou até influenciadores/criadores de conteúdo são atacados todos os dias, por cometer algum erro (muitas vezes pequeno), ou até mesmo por expressar a sua opinião.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a cultura do cancelamento se torna mais “normal”, quando não se tem uma lei que atua diretamente na área. Por exemplo, A Lei 7.716 de janeiro de 1989, estabelece a pena de 3 anos de reclusão para quem induzir, praticar ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Apesar disso, a cultura do cancelamento vem de um público mais jovem, justamente aqueles que pregam tanto o respeito ao próximo e o amor. Isso mostra que a educação é um agente formador muito importante, e deve atuar diretamente na formação de um jovem com mais empatia.

Em uma segunda análise, pode-se citar o conceito de “cancelamento virtual”. Esse é o nome dado ao conjunto de ações realizadas por internautas que visam boicotar ou difamar tanto pessoas como empresas. O problema é que ela cria uma falsa impressão de que o coletivo está unido em torno de um objetivo bom a todos, quando na verdade seu efeito é completamente o contrário, espalhando o egoísmo e o ódio entre as pessoas.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação crie um programa que vise implementar cursos voltados para o uso da comunicação digital nas escolas do Ensino Básico, por meio de investimentos públicos e de parcerias com pesquisadores. Logo, essa ação certamente promoverá uma mudança gradativa na forma como o ato de cancelar é exercido hoje.