Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2021
O cancelamento foi inventado como uma alternativa de revolta contra estruturas de poder para grupos oprimidos fazerem uso de denúncias e forçar ações de figuras públicas. Todavia, na atual sociedade, esse movimento se tornou uma prática muito frequente, no qual diariamente resulta em uma grande quantidade de vítimas. Em tal perspectiva, é fundamental ressaltar as causas e os efeitos dessa problemática.
Primeiramente, é necessária a análise dos motivos dessa nova cultura. A princípio, nota-se que alguns geradores do cancelamento podem ser a utilização de falas preconceituosas, ou que reproduzem o preconceito, e até mesmo o silêncio perante casos de injustiça. Em decorrência disso os internautas se veem na posição de julgar e assim cancelar tal pessoa, para que seus atos sejam justificados, pois possuem uma ferramenta de poder em suas mãos, a internet. Esse dado é confirmado pelo filósofo Michel Foucault, no qual diz que “o poder está concentrado na rede que liga todos os indivíduos de um grupo por meio de saberes e discursos”.
Em consequência disso, discursos de ódio na internet são intensificados e a reputação de quem foi cancelado também é afetada. Além disso, em alguns casos, os canceladores julgam sem que o cancelado possa se justificar, trazendo consequências até o meio social do indivíduo, como o ocorrido com a blogueira Gabriela Pugliesi, que após fazer uma festa durante a quarentena contra a COVID-19, foi cancelada em suas redes sociais, perdendo um total de 2 milhões de reais em contratos desfeitos. Porém essa constante validação do caráter das pessoas não gera nenhum efeito, afinal, a internet está em constante mudança, e novas pessoas para serem canceladas aparecem todos os dias.
Com isso, é preciso o questionamento acerca desta prática atual e a sua ação na sociedade. Em seguida, o Poder Público, juntamente à mídia, deve estimular que as pessoas repensem, e assim deixem de lado, suas atitudes de cancelamento, utilizando a prática do diálogo entre elas, por meio de propagandas em rede aberta, e principalmente, nas redes socias, com a finalidade de que estes atos não sejam intensificados.