Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2021
“O sujeito é constituído por identificações advindas da cultura em que está imerso”. Assim disse Sigmund Freud, criador da psicanálise, que tem sua tese cabível no que se diz respeito à cultura do cancelamento brasileira. Tal questão além de refletir o passado preconceituoso da sociedade brasileira, espelha o contexto da ditadura militar, quando pessoas com opiniões divergentes das do regime eram extremamente reprimidas. Este tema é um desafio ao Poder Público, à sociedade e às instituições de educação. E sua não solução resultará na criação de verdadeiras milícias digitais, destruindo a liberdade de expressão.
Primeiramente, é importante destacar que a Constituição Cidadã, de 1988, foi um grande avanço na defesa da liberdade de expressão. Porém, ainda existe uma herança opressora na sociedade, que pela falta de projetos federais para a educação sobre o respeito ao diferente, junta à além da vontade de se fazer justiça com as próprias mãos, criou a cultura do cancelamento, um fenômeno que destrói reputações por palavras ditas ou escritas a até anos atrás.
Nessa perspectiva, a desconsideração do governo em relação à educação pelo diferente fica ainda mais evidente neste quadro de pandemia, quando as pessoas estão mais dependentes das redes que nunca e são canceladas por motivos cada vez mais estúpidos. Desta forma, confirma-se a tese do filósofo Rousseau, de que as pessoas são um produto do meio em que vivem, e que uma sociedade intolerante, cria pessoas intolerantes.
Logo, é indispensável que o Poder Público intervenha, por meio de campanhas midiáticas que tenham como objetivo eliminar esta mentalidade retrógrada da sociedade brasileira, demonstrando que todas opiniões devem ser discutidas, não apenas banidas. Por fim, o Ministério da Educação, junto à sociedade, deve educar as crianças e adolescentes sobre a grande diversidade de opiniões, deste modo, a cultura do cancelamento no Brasil terá um futuro curto.