Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/07/2021
No episódio Odiados pela Nação da série “Black Mirror”, é exibido uma sequência de homicídios por meio de uma ‘‘hashtag’’ criada na internet, a fim de julgar as pessoas por qualquer atitude que fosse considerada fora dos padrões aceitáveis, sendo então canceladas e excluídas da sociedade. Fora da ficção, a cultura do cancelamento é capaz de provocar tragédias como na série. Nesse aspecto, é possível relacionar o impasse não apenas aos impactos sociais e mentais que essa cultura pode trazer as vítimas, mas também ao complexo de ‘‘Deus’’ que a internet trouxe a população atual.
Primordialmente, cabe ressaltar que o cancelamento surgiu com o intuito de fazer justiça à causas necessitadas e minorias. No entanto, é notável que essa cultura ultrapassa os bons limites e causa efeito contrário de sua iniciativa. Nesse caso, é possível citar o músico Gustavito, que foi acusado em 2017 de violência sexual e se viu diante o cancelamento de shows, carreira, mídia social e claro, de si mesmo. Nesse viés, após muitos meses o rapaz finalmente teve sua inocência comprovada, mas já era tarde, o cancelamento já tinha acontecido e a depressão já tinha tomado conta de si. Dessa forma, nota-se o impacto que essa cultura pode nas vítimas, que costumam perder sua renda e credibilidade. Logo, é inaceitável que o Brasil continue corroborando indiretamente com a destruição de pessoas reais por quaisquer motivos considerados válidos para isso.
Além disso, o complexo de ‘‘Deus’’ dos canceladores atua como impulsionador do problema. Nesse sentido, a sociedade se depara com milhares de ‘‘falso juízes" que buscam qualquer atitude infeliz, normalmente de pessoas famosas, para destruí-las, sem qualquer preocupação nos impactos causados a vítima. Nesse contexto, o cancelamento é feito em conjunto e é necessário milhares de pessoas para que o ato funcione. Nesse âmbito, pesquisas feitas pelo jornal G1 indicam que os canceladores não passam de pessoas ultrapassadas que se enxergam superiores e aptas a julgas outras, como se fossem realmente juízes em tribunais. Entretanto, é inaceitável que pessoas continuem distribuindo ódio nas redes e destruindo vidas sem qualquer punição.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a mitigação do problema. Desse modo, o Ministério da Educação deve promover palestras nas instituições de ensino, em que serão discutidos os impactos que o cancelamento pode causar nas vítimas, a fim de instruir as pessoas a usarem a internet com responsabilidade, para que essa cultura acabe e que somente a justiça por meio da lei seja capaz de julgar. Outrossim, o Poder Legislativo deve criar uma lei que impeça a cultura do cancelamento, com pena a qualquer pessoa que dissemine ódio nas redes, por meio de filtros criados por profissionais midiáticos, para que esses atos gerem consequências. Assim, o cancelamento ficará apenas na ficcção.