Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 17/09/2021

A cantora Karol Konká, ao participar de um reality show, foi “cancelada” por ter atitudes de discriminação, de humilhação e de exclusão com outros participantes, o que impactou de forma negativa a sua reputação e a sua carreira. Diante do exposto, pode-se observar que “cancelamentos” como esse têm sido cada vez mais comuns nas redes sociais. Esse é um problema que tem como causa a cultura do punitivismo e como consequência diversos danos ao psicológico da vítima. Por isso, é necessário medidas que promovam a ética na ambiente digital.

Inicialmente, o “cancelamento”, dentre outros fatores, origina-se do desejo do ser humano de realizar o justiçamento. Diante dessa perspectiva, o conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, refere-se à disseminação do “mal” na ausência de um questionamento prévio acerca da situação. Nesse sentido, no contexto apresentado, esse “mal” está relacionado aos comportamentos cruéis, vingativos e punitivos que muitos usuários adotam com o objetivo de reprimir o “cancelado”, sem antes terem reflexões sobre a moral e a ética envolvida em promover linxamentos virtuais, e sem  tentativas de viabilizar o diálogo e propiciar o ensino da pessoa linxada.

Consequentemente, o “cancelamento” provoca riscos não somente à popularidade do indivíduo, mas também à sua saúde mental. Em vista disso, o episódio “Odiados pela Nação”, da série Black Mirror, mostra a sociedade agindo no efeito manada, propagando o ódio de maneira desproporcional e inconsequente a figuras específicas, que aparecem mortas depois de terem sido perseguidas na internet. De forma análoga, verifica-se que na realidade brasileira, “cancelar” pessoas também podem podem trazer sérios prejuízos à sua integridade física e mental, uma vez que essas vítimas recebem ataques e ameaças que podem gerar traumas e medos, além de favorecerem o desenvolvimento de transtornos psicológicos, tais como a ansiedade, a síndrome do pânico e a depressão.

Portanto, com vistas a solucionar a problemática, é preciso que o Ministério da Educação faça campanhas de conscientização nas escolas com a finalidade de ampliar a empatia, o respeito e o diálogo nas redes sociais e, assim, minimizar os linxamentos virtuais. Essa medida deve ser feita por meio de palestras destinadas aos jovens, público mais presente e ativo na internet, e devem ser ministradas por personalidades que já foram “canceladas”, como a própria Karol Konká, e que aborde os impactos que essas ações de punição provocam no bem estar físico e psicológico, a fim de aumentar a sensibilização e o esclarecimento sobre a temática.