Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/07/2021

O cancelamento como algo intrínseco à humanidade e a questão da empatia

De certa forma, a cultura do cancelamento não é algo novo na história da humanidade. À época da Idade Média (século V a XV), pessoas contrárias aos dogmas da Igreja Católica eram tidas como hereges e condenadas à fogueira pelo Tribunal da Inquisição. Atualmente, há um “tribunal” que arruina carreiras e persegue pessoas contrárias ao pensamento majoritário nas mídias digitais, sendo essa prática  impulsionada pelo sentimento de justiça social. Em síntese, é preciso que órgãos reguladores acompanhem esse comportamento de perto a fim de evitar extremismos e injustiça.

É fulcral, primeiramente, observar a quantidade de vezes que um grupo de humanos reuniu-se como paladino da moralidade e passou a perseguir pessoas contrárias ao pensamento dele. A exemplo disso, tem-se a Santa Inquisição e suas fogueiras; a Revolução Francesa e sua guilhotina; a Revolução Russa e seus gulags etc. Nos tempos atuais, o ostracismo e a exclusão social são as armas usadas pelos canceladores para quem se opor às pautas defendidas por uma minoria ativa nas redes sociais. Desse modo, percebe-se um movimento de justiceiros sociais que tentam fazer justiça com as próprias mãos, algo que, historicamente falando, pode levar à desorganização social e ao extremismo.

Em virtude dessa crescente cultura do cancelamento, é comum ver o cancelador de hoje tornar-se o cancelado de amanhã. Tal como ocorreu com a cantora Karol Conká. Antes de sua participação no reality Big Brother Brasil, a rapper era bem ativa nas redes sociais, agindo como detratora de marcas e de outras personalidades da mídia. Durante o BBB, a artista foi julgada e condenada, sem direito à defesa, pelo “tribunal” da internet, do qual ela participou anteriormente. Tal fenômeno é comum ocorrer pela falta de empatia e de conhecimento do agir humano pela maioria desses detratores.

É necessário, portanto, que o Ministério da Justiça, por meio de uma lei construída junto ao Poder Legislativo e à sociedade civil, crie dispositivos reguladores para receber denúncias com vistas a evitar a perseguição violenta e sistemática a figuras públicas. Assim, o órgão coibe a formação de justiceiros sociais, mas sem ferir a liberdade de expressão. Além disso, é importante que o Ministério da Educação, por meio de palestras e aulas, invista em educação psicológica a fim de construir uma sociedade mais empática. Só assim a sociedade ver-se-á livre do cancelamento e da perseguição sistemáticos.